A radioterapia pode ser uma alternativa curativa para pacientes com câncer de pele, especialmente em casos em que a cirurgia pode provocar impactos estéticos ou funcionais importantes. A avaliação é do radio-oncologista e coordenador do Serviço de Radioterapia da Rede Mater Dei, Gabriel Gil.
“O câncer de pele é o mais comum entre homens e mulheres no Brasil. Na maior parte das vezes, quando identificado precocemente, o tratamento é simples e as chances de cura são muito elevadas. O problema acontece quando a lesão cresce, recidiva ou acomete regiões mais delicadas, como nariz, pálpebras, lábios, orelhas ou couro cabeludo”, afirma o especialista.
Os tipos mais frequentes da doença são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, conhecidos como cânceres de pele não melanoma. Segundo o médico, apesar de geralmente apresentarem comportamento menos agressivo, alguns casos exigem abordagens terapêuticas mais complexas.
Quando a radioterapia é indicada
Embora a cirurgia seja o tratamento mais comum para o câncer de pele, a radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal em pacientes selecionados.
“A radioterapia não deve ser vista como uma segunda opção menos eficaz. Em pacientes selecionados, ela pode ser um tratamento curativo e extremamente importante, principalmente quando a cirurgia poderia causar grande impacto estético ou funcional, ou quando o paciente não tem condições clínicas para um procedimento cirúrgico”, explica Gabriel Gil.
O tratamento costuma ser indicado para tumores localizados em áreas sensíveis da face, além de pacientes idosos ou com condições clínicas que aumentam os riscos de uma cirurgia extensa. A técnica também pode ser utilizada após procedimentos cirúrgicos para reduzir o risco de recorrência da doença.
Tratamento é realizado sem internação
A radioterapia utiliza radiações direcionadas para destruir células tumorais e preservar os tecidos saudáveis ao redor da lesão.
“A maior parte dos tratamentos é realizada de forma ambulatorial, sem necessidade de internação. O paciente não fica radioativo e, em geral, apresenta boa tolerância. O número de sessões varia conforme o tamanho, a profundidade e a localização da lesão”, detalha o médico.
Diagnóstico precoce aumenta chances de cura
Apesar dos avanços no tratamento, o especialista reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais ferramentas contra a doença.
“Na maioria dos casos, quando diagnosticado precocemente, observamos grandes chances de cura. Tumores avançados ou de maior risco precisam ser tratados e a radioterapia é uma ferramenta precisa, curativa e muitas vezes preservadora, especialmente quando indicada dentro de uma abordagem multidisciplinar”, conclui.
A orientação é procurar avaliação médica diante de qualquer alteração suspeita na pele, principalmente lesões que mudam de aspecto, não cicatrizam ou apresentam crescimento progressivo.