O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17/6) que o Brasil vive um momento “difícil” e “perigoso politicamente”. A declaração foi dada durante entrevista coletiva na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Questionado sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo americano e sobre as tarifas adicionais propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, Trump fez críticas ao cenário político do país.
“Sim [falei com Lula]. Está se tornando um país duro politicamente. Um pouco perigoso politicamente. Está meio desagradável”, afirmou.
Trump cita Bolsonaro e confunde Flávio com Eduardo
Ao comentar a situação política brasileira, Trump também mencionou um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas confundiu os nomes de Flávio e Eduardo Bolsonaro.
O presidente americano afirmou que “Bolsonaro Jr.” estaria sendo perseguido por razões políticas após fazer declarações nos Estados Unidos.
“Escutei que eles prenderam alguém que está concorrendo para cargo público. Eles prenderam o Bolsonaro Jr., que estava indo bem nas pesquisas. Eles o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Ou eles querem prendê-lo. Eles estão jogando duro”, declarou.
A fala ocorre um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. Eduardo vive atualmente no Texas, nos Estados Unidos. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é apontado como um dos possíveis candidatos da direita à Presidência da República em 2026.
Declaração ocorre em meio a atritos entre Brasil e EUA
As declarações de Trump acontecem em um momento de tensão entre Brasília e Washington. Neste mês, o governo americano classificou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e recomendou a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O governo brasileiro criticou as medidas. Durante o G7, Lula também voltou a fazer críticas ao presidente americano e afirmou que Trump age como um “imperador” nas relações internacionais.
Apesar das divergências, os dois líderes participaram dos eventos da cúpula e se encontraram durante a programação do encontro na França.