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Adeus, Internet

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(Reprodução)

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O futuro não será feito de páginas, links e buscas. Será feito de respostas.

Quando eu digo que a internet está acabando, muita gente pode achar que estou exagerando. Mas não estou. Na verdade, acredito que estamos vivendo uma das maiores transformações tecnológicas desde o nascimento da própria web. E o mais curioso é que ela está acontecendo de forma silenciosa, sem alarde e sem que a maioria das pessoas perceba.

Durante mais de trinta anos, a internet funcionou praticamente da mesma forma. Quando queríamos encontrar uma informação, abríamos um navegador, digitávamos uma busca e visitávamos uma série de sites até encontrar a resposta que procurávamos. Foi assim que aprendemos a navegar. Foi assim que empresas construíram suas estratégias digitais. Foi assim que gigantes como Google, Amazon e milhares de portais de conteúdo cresceram e se consolidaram.

Mas acredito que esse modelo está chegando ao fim.

Pela primeira vez na história, as pessoas estão deixando de procurar para começar a perguntar. Pode parecer apenas uma mudança de comportamento, mas é muito mais do que isso. Trata-se de uma mudança profunda na forma como acessamos o conhecimento.

Quando utilizo uma inteligência artificial, não estou interessado em receber uma lista de links para analisar. Eu quero uma resposta. Não quero abrir diversos sites para comparar informações, navegar por menus ou gastar tempo tentando encontrar aquilo que procuro. Quero compreender. E percebo que milhões de pessoas estão começando a agir exatamente da mesma maneira.

Durante décadas, a internet foi construída para ser encontrada. Agora ela está sendo reconstruída para ser interpretada. Essa diferença muda completamente as regras do jogo.

O Google se tornou uma das empresas mais valiosas do planeta porque conseguiu organizar o enorme volume de páginas espalhadas pela internet. A inteligência artificial segue um caminho diferente. Ela lê essas páginas, conecta informações de diferentes fontes, interpreta contextos e entrega conhecimento de forma organizada para o usuário. O que antes exigia uma jornada de navegação passa a acontecer por meio de uma simples conversa.

Na minha visão, estamos assistindo ao nascimento de uma nova camada da internet. Uma camada em que o conteúdo continua existindo, mas deixa de ser acessado diretamente pelas pessoas. Os sites não desaparecem, mas passam a ser consumidos por inteligências artificiais que filtram, organizam e entregam o resultado final para o usuário.

Por isso, não acredito que os sites desaparecerão. Eles continuarão existindo. O que está mudando é o seu papel. Durante décadas, os sites foram o destino final da experiência digital. Agora passam a ser a infraestrutura que alimenta sistemas muito mais inteligentes.

Gosto de comparar essa transformação com a energia elétrica. Todos sabemos que existem usinas produzindo energia, mas quase nunca pensamos nelas quando acendemos uma lâmpada. A infraestrutura continua existindo, mas deixa de ser o centro da experiência. Na minha visão, é exatamente isso que acontecerá com a internet.

Os sites serão os bastidores. As inteligências artificiais serão a interface.

Se essa visão parece futurista demais, vale observar o que já está acontecendo. Mais de 60% das pesquisas realizadas hoje terminam sem que o usuário clique em um único site. A resposta é encontrada diretamente na própria busca. Ao mesmo tempo, pesquisas recentes mostram que sete em cada dez consumidores estão utilizando ferramentas de inteligência artificial para buscar informações com mais frequência do que há apenas um ano. A mudança é tão significativa que a própria experiência de busca está sendo reformulada. Em mais da metade das consultas analisadas por pesquisadores, as respostas geradas por inteligência artificial já aparecem antes dos links tradicionais. Os impactos econômicos também começam a surgir. Estudos indicam reduções relevantes de tráfego para sites quando a resposta da IA é apresentada diretamente ao usuário. E não estamos falando de uma tecnologia experimental. Plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude já se consolidaram como novos pontos de acesso ao conhecimento digital. Talvez o sinal mais importante seja este: pela primeira vez desde o nascimento da internet comercial, o usuário está demonstrando que prefere receber respostas em vez de procurar por elas.

Essa mudança cria um enorme desafio para empresas, marcas, veículos de comunicação e produtores de conteúdo. Durante anos, a pergunta mais importante do marketing digital foi: como aparecer no Google? Agora surge uma questão muito mais estratégica: como ser relevante para as inteligências artificiais que irão responder às perguntas dos usuários?

A disputa não será mais apenas por cliques. Será por confiança, autoridade e relevância. Afinal, quando uma inteligência artificial constrói uma resposta, ela escolhe quais informações considerar e quais fontes utilizar. Estar presente não será suficiente. Será preciso ser reconhecido como uma fonte confiável.

Isso também muda a lógica dos negócios digitais. Durante décadas, o tráfego foi a principal moeda da internet. Quanto mais visitantes um site recebia, maior era seu valor. Mas em um mundo mediado por inteligência artificial, o valor deixa de estar apenas no acesso e passa a estar na qualidade, na credibilidade e na capacidade de produzir conhecimento relevante.

Na minha opinião, este é o impacto mais profundo da inteligência artificial até agora. Mais importante do que criar imagens. Mais importante do que automatizar tarefas. Mais importante até do que substituir determinadas atividades profissionais. A verdadeira revolução está transformando a forma como a humanidade acessa, organiza e utiliza o conhecimento.

Durante trinta anos navegamos pela internet. Aprendemos a clicar, pesquisar, abrir abas e percorrer caminhos digitais para encontrar respostas. A próxima geração provavelmente fará algo diferente. Ela simplesmente fará perguntas e receberá respostas.

Talvez este seja o momento em que a internet deixa de ser um lugar para onde vamos e passa a ser algo que nos acompanha permanentemente, integrado ao nosso cotidiano de maneira quase invisível.

Por isso, quando digo “adeus, internet”, não estou falando sobre o desaparecimento da rede mundial de computadores. Estou falando sobre o fim de uma era. A era das páginas, dos links e da navegação.

A internet não está morrendo. Ela está mudando de papel. Está deixando de ser o palco para se tornar os bastidores de uma nova experiência digital, mais conversacional, mais inteligente e cada vez mais invisível.

Talvez daqui a alguns anos olhemos para trás e percebamos que a maior transformação tecnológica da nossa geração não foi o surgimento da inteligência artificial em si. Foi a mudança na forma como acessamos o conhecimento.

Durante décadas, aprendemos a navegar. A próxima geração aprenderá algo diferente: simplesmente perguntar.

E receber respostas.

A maior invenção da internet foi conectar páginas. A maior invenção da inteligência artificial será conectar conhecimento. E isso muda tudo.

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Harlen Duque

CEO Sucesu Nacional e líder em transformação Digital na Wblio , especialista em transformação de negócios pela Stanford University , piloto de automobilismo virtual e um apaixonado pela cultura de inovação.

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