Mais da metade das usinas brasileiras de ferro-gusa pode interromper as atividades caso os Estados Unidos confirmem a aplicação de novas tarifas de importação sobre o produto. As taxas, que podem chegar a 37,5%, devem ser definidas em julho. O alerta é do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), que afirma que a medida pode afetar diretamente a produção, os investimentos e mais de 60 mil empregos no estado.
Minas Gerais concentra cerca de 70% da produção nacional de ferro-gusa e lidera as exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Diante da possibilidade de aumento das tarifas, representantes da indústria participarão de uma audiência nos Estados Unidos para tentar evitar a adoção da medida.
Segundo o economista Gustavo Andrade, o impacto sobre a economia mineira pode ser significativo, já que o setor tem peso relevante na atividade econômica do estado.
“O ferro-gusa representa cerca de 0,8% do PIB de Minas Gerais. Esse talvez seja o segundo grande teste enfrentado pela indústria desde 2015. Naquela época, o cenário era influenciado pela volatilidade da commodity e do câmbio. Agora, o desafio é a política tarifária, mas o resultado pode ser semelhante”, afirmou.
Setor teme perda de investimentos e sucateamento das usinas
Além da redução da produção, a indústria avalia que a eventual paralisação das usinas pode provocar efeitos de longo prazo sobre o parque industrial mineiro.
De acordo com Gustavo Andrade, ao contrário de outros segmentos, as plantas de produção de ferro-gusa não podem ser adaptadas facilmente para outras atividades industriais, o que amplia os prejuízos em caso de fechamento.
“Uma paralisação provoca ruptura nos investimentos e no emprego. Além disso, esse tipo de parque fabril não pode ser facilmente convertido para outra atividade. Isso leva ao sucateamento das instalações ao longo do tempo e produz impactos secundários sobre a economia e o PIB de Minas Gerais”, destacou.
A definição sobre as tarifas é aguardada pelo setor para julho. Caso a medida seja confirmada pelos Estados Unidos, a expectativa da indústria é de redução das exportações brasileiras para o principal mercado comprador de ferro-gusa nacional, com reflexos sobre a atividade econômica de Minas Gerais, principal estado produtor do país.
