O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu liberdade provisória ao ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF). A decisão foi assinada na sexta-feira (10/7).
Canella havia sido detido na última terça-feira (7/7), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, após agentes da PF encontrarem um fuzil calibre .556 em um veículo ligado ao ex-prefeito. A investigação apura a atuação de organizações criminosas e a suposta ligação de agentes públicos com um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.
Além de Canella, Moraes também concedeu liberdade provisória a Antônio Gomes da Silva Neto, preso na mesma operação.
Medidas cautelares substituem prisão
Apesar da soltura, Alexandre de Moraes determinou uma série de medidas cautelares que deverão ser cumpridas pelos investigados.
Entre elas estão:
- Uso de tornozeleira eletrônica;
- Recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana;
- Comparecimento semanal à Justiça;
- Entrega dos passaportes;
- Suspensão imediata do porte de arma e de autorizações relacionadas ao colecionamento, tiro desportivo e caça (CAC).
Na decisão, o ministro advertiu que o descumprimento de qualquer uma das medidas poderá resultar na decretação da prisão preventiva.
Moraes cobra esclarecimentos sobre armas apreendidas
Ao justificar a substituição da prisão pelas medidas cautelares, Moraes afirmou que ainda existem dúvidas sobre a regularidade das armas apreendidas durante a operação e sobre a atuação dos policiais militares envolvidos no caso.
O ministro também determinou que a Polícia Militar do Rio de Janeiro apresente, em até cinco dias, esclarecimentos sobre as armas recolhidas e a situação funcional dos policiais citados na investigação.
Operação investiga esquema bilionário
A Operação Unha e Carne investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a organizações criminosas por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, que resultaram na apreensão de dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, celulares e joias.
Canella era alvo de um mandado de busca e apreensão, mas acabou preso em flagrante durante a operação. O ex-prefeito nega ser o proprietário do fuzil encontrado pelos policiais. Segundo Moraes, essa alegação ainda será esclarecida no decorrer das investigações.