Os destroços do avião Clipper Endeavor, da companhia Pan Am, foram encontrados por exploradores no fundo do mar. A descoberta foi anunciada nesta terça-feira (21) e encerra uma busca histórica. O acidente ocorreu em 1952, matou 52 pessoas e transformou para sempre as normas de segurança da aviação comercial.
Na ocasião, o modelo DC-4 perdeu a potência dos motores logo após decolar de Porto Rico rumo a Nova York, realizando um pouso forçado no oceano. Dos 69 ocupantes a bordo, 17 pessoas sobreviveram ao impacto inicial. No entanto, a dificuldade para acessar coletes e botes fez com que o avião afundasse rapidamente com os demais passageiros.
A equipe de buscas localizou a fuselagem e a cauda da aeronave a cerca de 610 metros de profundidade no mês passado. Os pesquisadores utilizaram um drone submarino autônomo equipado com sonar de alta precisão. A varredura cobriu uma área mapeada de 34 quilômetros quadrados perto do local da queda.
Investigação histórica e avanços na segurança aérea
A iniciativa para encontrar o Clipper Endeavor começou em 2019, liderada pelo pesquisador Russ Matthews. A busca foi motivada pela notícia de uma etiqueta de bagagem do voo achada na Flórida. O historiador cruzou dados da Guarda Costeira dos EUA com mapas de pilotos militares que testemunharam o acidente na época.
Especialistas em aviação destacam que a tragédia serviu como divisor de águas para as regulamentações aéreas globais. O desastre pressionou as autoridades a exigirem equipamentos de flutuação mais acessíveis. A tragédia também tornou obrigatórias as instruções de emergência realizadas pelos comissários antes de cada decolagem.
Uma primeira expedição tentou localizar os destroços em 2024, mas acabou cancelada devido às más condições meteorológicas na região. Neste ano, por outro lado, a parceria com a empresa Deep Sea Vision permitiu retomar a missão e confirmar o achado logo no primeiro rastreamento do robô aquático.
Além do resgate histórico, a localização da aeronave renova as esperanças de parentes de vítimas de outros mistérios da aviação, como o voo MH370 da Malaysia Airlines, que desapareceu com 239 pessoas a bordo. A descoberta prova que as novas tecnologias de exploração profunda podem solucionar casos arquivados há décadas.
