A indústria têxtil brasileira defende a manutenção da cobrança sobre compras internacionais e pede igualdade nas regras de tributação entre produtos importados e nacionais. O setor afirma que a diferença de impostos aumenta a pressão sobre empresas brasileiras, que já enfrentam queda na produção e avanço das importações por aplicativos.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Minas Gerais, Rogério Mascarenhas Cezarini, afirma que a chamada “taxa das blusinhas” não deve ser retirada, mas aplicada de forma mais equilibrada para evitar uma concorrência desigual entre empresas brasileiras e estrangeiras.
Segundo ele, enquanto a indústria nacional é submetida a uma carga tributária maior, produtos importados vendidos por plataformas digitais entram no mercado com uma tributação reduzida.
Para Cezarini, o aumento das importações já tem afetado a produção e os empregos do setor. Ele cita uma queda de 3,8% na produção têxtil em 2026 e de 6,5% na produção de vestuário, além da perda de 13 mil postos de trabalho.
“Esses produtos estão entrando e estão penalizando a indústria nacional. (…) A produção têxtil, esse ano de 2026, ela já caiu 3,8%. A produção de vestuário já caiu 6,5% e o desemprego no setor têxtil já atingiu 13 mil postos de trabalho”, afirmou.
O dirigente também avalia que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem agravar o cenário. Segundo ele, a medida afeta um mercado entre 400 milhões e 500 milhões de dólares em exportações têxteis, principalmente nos segmentos de moda feminina, meias e moda praia.
Setor apresenta propostas ao Congresso
Além da discussão sobre a tributação de produtos importados, a indústria têxtil articula medidas para reduzir a diferença de custos entre empresas brasileiras e estrangeiras. Entre as propostas está a criação de uma cobrança equivalente à taxa das blusinhas para produtos nacionais.
O setor também apoia um projeto de cashback relacionado à tributação das compras internacionais, como forma de compensação para a indústria brasileira.
Segundo Rogério Mascarenhas Cezarini, as medidas podem ajudar a equilibrar a concorrência e beneficiar o consumidor.
“Essas duas medidas são medidas que estão em trânsito e criam uma situação extremamente interessante para a indústria e beneficiam sobremaneira o consumidor.”
O setor têxtil brasileiro emprega cerca de 8 milhões de pessoas em toda a cadeia produtiva e tem forte presença na geração de empregos no interior do país, especialmente para mulheres.
