O pediatra e creator Thiago Castro defendeu a presença de médicos nas redes sociais durante o Hotmart Fire 2026, uma das maiores feiras de empreendorismo digital da América Latina, realizada entre os dias 10 e 12 de setembro. Para ele, a comunicação é parte da atividade médica e permite levar informação para além do consultório.
“Ser um comunicador vem antes da medicina, porque a medicina, no final das contas, é sobre você cuidar, sobre acolher, sobre guiar”, afirmou.
A atuação digital também mudou a rotina profissional de Castro. Hoje, o médico diz que mantém apenas consultas sociais e usa a produção de conteúdo e a formação de outros médicos para ampliar o alcance do trabalho.
“Quando eu capacito 100 profissionais e cada um atende seis por dia, a gente está falando de 600 por dia”, disse.
“Se você não está ali, o outro está”
A presença nas redes, na avaliação do pediatra, deixou de ser opcional para médicos que estão entrando no mercado. Ele afirma que profissionais com formação e conhecimento precisam ocupar esse espaço para evitar que informações sejam dominadas por pessoas sem a mesma qualificação.
“A internet dá palco para o sábio, mas também dá palco para o vilão. E quando aquele profissional que é bom, que estudou, se dedicou, não se posiciona, o outro vai se posicionar”, afirmou.
Castro citou plataformas como Instagram, YouTube e sites como ferramentas para estabelecer contato com pacientes e com o público. Na avaliação dele, aprender a se comunicar na internet passou a fazer parte dos desafios da carreira médica.
“Não existe hoje a possibilidade de alguém, principalmente que está chegando agora no mercado de trabalho, não utilizar o digital”, declarou.
Autismo e TDAH
A produção de conteúdo sobre autismo e TDAH também foi abordada na entrevista. O médico defendeu responsabilidade na abordagem dos transtornos e criticou a oferta de soluções sem fundamento científico.
“Verdade se sustenta. Então, quando você vai para a rede social, quando aquilo que você fala é verdade, não é desconfortável”, afirmou.
O pediatra também falou sobre as críticas que recebe de outros profissionais e disse que elas não devem determinar o que será produzido. Para Castro, quem tem segurança sobre o conhecimento que transmite precisa manter o posicionamento mesmo diante da resistência.
Do consultório para o alcance coletivo
A estratégia de formar outros médicos está ligada ao que Castro define como legado. Em vez de limitar o impacto ao número de pacientes que consegue atender pessoalmente, ele aposta na capacitação de profissionais que possam levar esse conhecimento a mais pessoas.
“Quando eu capacito uma quantidade de médicos para executar aquilo que em outrora eu conseguia fazer, eu estou conseguindo dar muito mais resultado na ponta do que eu atender uma quantidade de pacientes, porque eu sou finito”, explicou.
