Quase dois anos após a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que uma combinação de formação severa de gelo, degradação do desempenho da aeronave e fatores operacionais levou ao acidente que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024.
O ATR 72-500 fazia o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições climáticas favoráveis ao acúmulo de gelo. Segundo o Cenipa, o gelo foi se acumulando em partes importantes da aeronave, o que dificultou o voo, reduziu a velocidade e fez o avião perder sustentação antes de cair sobre uma área residencial de Vinhedo. As 62 pessoas a bordo, quatro tripulantes e 58 passageiros, morreram.
O relatório também aponta que o avião decolou com um problema em um dos sistemas responsáveis por retirar o gelo da estrutura da aeronave. Esse equipamento ajuda a remover o gelo que se forma nas asas e em outras partes do avião durante o voo.
Durante a viagem, o avião passou por uma área com formação intensa de gelo. Com isso, perdeu desempenho, ficou mais lento e acabou entrando em uma situação da qual os pilotos não conseguiram recuperar a aeronave antes do impacto.
Apesar do desfecho, o Cenipa informou que os pilotos eram habilitados, estavam com os certificados em dia e haviam recebido treinamento para voar em condições de gelo e lidar com situações de emergência. A investigação concluiu que toda a tripulação estava apta para realizar o voo.
A investigação contou com a participação de especialistas do Brasil, França, Canadá, Portugal e Venezuela. O Cenipa ressalta que o objetivo do relatório não é apontar culpados, mas identificar as causas do acidente e apresentar recomendações para evitar que tragédias semelhantes voltem a acontecer.
