A procura por informações sobre sachês de nicotina aumentou mais de 420% em Minas Gerais nos últimos 12 meses, segundo levantamento feito com base no Google Trends. O interesse dos internautas mineiros por termos como “sachês de nicotina”, “bolsas de nicotina”, “snus” e “pouches” acompanha um crescimento do debate sobre a regulamentação desses produtos no Brasil.
Em todo o país, o aumento nas buscas foi ainda maior: mais de 1.200% no período. Minas Gerais registrou o sexto maior crescimento proporcional entre os estados, atrás de Santa Catarina (610%), São Paulo (580%), Rio Grande do Sul (530%), Rio de Janeiro (480%) e Paraná (460%).
O avanço da procura ocorre enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia a possibilidade de abrir uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre novos produtos de nicotina oral. Em 29 de junho, terminou o prazo para que a sociedade civil enviasse contribuições que poderão ajudar no processo.
Apesar de ainda não haver uma regulamentação específica, os sachês de nicotina e outros produtos alternativos ao cigarro já são utilizados no país. Um levantamento da Escola de Segurança Multidimensional (Esem), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Ipsos, aponta que cerca de 10 milhões de brasileiros fazem uso frequente desses produtos.
Para especialistas ligados ao debate sobre redução de danos, a falta de regras deixa consumidores expostos a um mercado sem padrões definidos. O presidente do Diretório de Informações para Redução dos Danos do Tabagismo (Direta), Alexandro Lucian, defende que a regulamentação poderia estabelecer critérios de segurança e fiscalização.
“Não existe proteção em um mercado clandestino. Quando o Estado abre mão de regulamentar, entrega milhões de consumidores a quem lucra justamente por não cumprir nenhuma regra”, afirmou.
Debate sobre redução de danos
Enquanto o Brasil discute uma possível regulamentação, países como a Suécia são citados por defensores da redução de danos como exemplo de políticas que incentivam alternativas ao cigarro tradicional. O país registrou queda na taxa de fumantes diários e passou a adotar produtos de nicotina oral como parte da estratégia de substituição.
Entidades e especialistas internacionais também discutem o papel de produtos sem combustão como alternativas de menor exposição a substâncias presentes na fumaça do cigarro. A avaliação, porém, é que esses produtos não são livres de riscos, especialmente pela presença de nicotina e pelo potencial de causar dependência.
A cirurgiã-dentista e estomatologista Catalina Riera afirma que a discussão precisa considerar diferentes formas de consumo de nicotina. Segundo ela, a eliminação da combustão reduz a exposição a diversos compostos químicos presentes no cigarro convencional.
“É fundamental pontuar que nenhum produto à base de nicotina é isento de riscos, especialmente em relação à dependência e aos efeitos vasoconstritores. No entanto, há extensa literatura comprovando que, ao eliminar a combustão, esses produtos reduzem a exposição a compostos químicos presentes na fumaça do cigarro”, disse.
No Brasil, a Anvisa ainda não definiu se haverá uma regulamentação específica para os sachês de nicotina. O tema segue em discussão diante do aumento do interesse dos consumidores e do crescimento da presença desses produtos no mercado.
