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Dino aciona PF para investigar ‘emendas PIX’ após TCU apontar prejuízo de R$ 55 milhões

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Ministro do STF fixa prazos para órgãos prestarem esclarecimentos e manda apurar fraudes em transferências especiais do orçamento. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal (PF) investigue indícios de crimes e fraudes na execução das chamadas “emendas PIX”. Um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), enviado ao STF em julho de 2026, fundamentou a medida.

No documento, o TCU apontou graves irregularidades e um dano estimado de R$ 55,4 milhões aos cofres públicos. Diante dos fatos, o ministro destacou que os dados atuais revelam a “persistência de um estado de inconstitucionalidade” na gestão das transferências especiais, mesmo após tentativas de aumentar a transparência do processo.

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Para agilizar as apurações, o ministro orientou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, priorize a análise dos casos nos quais os auditores já identificaram prejuízos diretos ao erário. Criadas em 2019, as “emendas PIX” facilitam o repasse direto de verbas parlamentares a estados e municípios sem a necessidade de projetos ou convênios prévios.

TCU fiscalizou R$ 198,1 milhões e dividiu irregularidades em grupos


O Plano Especial de Auditoria do TCU analisou 100 transferências especiais destinadas das “emendas PIX” a 74 entes federados entre os anos de 2020 e 2024, totalizando R$ 198,1 milhões em recursos inspecionados. A fiscalização apontou fragilidades também na plataforma “Transferegov.br”, que aceitava informações genéricas e permitia a alteração irrestrita de metas nos planos de trabalho.

A auditoria dividiu os problemas identificados em quatro grandes frentes:

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  • Falta de transparência e rastreabilidade: Movimentação em contas não específicas, gerando prejuízo de R$ 26,3 milhões;
  • Execuções financeiras irregulares: Pagamentos sem comprovação fiscal ou para finalidades alheias à emenda, somando danos de R$ 14,9 milhões;
  • Fraudes em licitações: Identificação de procedimentos licitatórios suspeitos e contratação de empresas inidôneas;
  • Falhas na execução física e contratual: Obras e serviços superfaturados ou simplesmente não executados, totalizando R$ 14,1 milhões em perdas.

Suspeitas em compras de alimentos acendem alerta na Conab


Além das determinações gerais à PF, o ministro Dino solicitou esclarecimentos sobre suspeitas envolvendo o uso de emendas repassadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A apuração atende a uma denúncia apresentada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO).

A denúncia envolve recursos do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) executados pela estatal para a compra de alimentos. Segundo a representação levada aos autos, os valores teriam sido destinados para adquirir produtos de cooperativas situadas fora do estado de origem do parlamentar.

Prazos e cobranças a órgãos do governo e parlamentares


Em razão dessas denúncias na Conab, o deputado Lindbergh Farias e a Câmara dos Deputados foram notificados para prestarem manifestação no prazo de 10 dias. O ministro também estipulou uma série de cobranças a outros órgãos federais para prestarem esclarecimentos:

  • Ministério da Gestão e da Inovação: Prazo de 10 dias para explicar as falhas de rastreabilidade identificadas na plataforma “Transferegov.br”;
  • Advocacia-Geral da União (AGU): Prazo de 10 dias para informar sobre pareceres técnicos em emendas da saúde, listar manuais de orientação, detalhar o monitoramento de gastos e atualizar ações no Dnocs e na Codevasf;
  • Ministério da Saúde: Prazo de 10 dias para apresentar dados atualizados sobre o plano emergencial de recomposição do Denasus (auditoria do SUS);
  • Controladoria-Geral da União (CGU): Apresentação de dados e relatórios sobre auditorias em equipamentos e repasses direcionados ao terceiro setor;
  • Estados, Distrito Federal e Municípios: Obrigatoriedade de utilizar, a partir de 2027, uma codificação contábil padronizada do Tesouro Nacional para identificar as emendas.

As medidas buscam estancar os desvios e garantir que a destinação dos recursos públicos siga critérios rígidos de controle social. Com o avanço das investigações da Polícia Federal, novos desdobramentos sobre o uso das emendas parlamentares devem ocorrer nos próximos dias.

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Gustavo Macedo

Jornalista graduado pela PUC Minas em atividade na Rede 98 desde 2023

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