PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Morre Zuenir Ventura, jornalista mineiro e imortal da Academia Brasileira de Letras

Por

Larissa Reis

Siga no

Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas no jornalismo e se tornou um dos principais nomes da imprensa brasileira (Matheus Cabral/Divulgação)

Compartilhar matéria

O jornalista e escritor mineiro Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22/9). A morte foi comunicada pela família e confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL). A causa não foi informada.

Nascido em Além Paraíba, na Zona da Mata de Minas Gerais, em 1931, Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas no jornalismo e se tornou um dos principais nomes da imprensa brasileira. Ao longo da trajetória, trabalhou em veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Sua produção também ficou marcada pela transformação de acontecimentos políticos e sociais do país em livros-reportagem. Entre seus trabalhos mais conhecidos está “1968 – O ano que não terminou”, publicado em 1988. A obra revisita o período de intensa mobilização política e cultural vivido naquele ano, durante a ditadura militar, e se tornou uma das referências sobre o período.

O livro ultrapassou 400 mil exemplares vendidos e também inspirou a minissérie “Anos Rebeldes”, da TV Globo.

Outro trabalho de destaque foi “Cidade Partida”, lançado em 1994. A obra nasceu de uma investigação sobre a violência e as desigualdades no Rio de Janeiro e rendeu a Zuenir o Prêmio Jabuti de Reportagem.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Carreira no jornalismo

Zuenir começou no jornalismo em 1956, como arquivista. Nos primeiros anos de carreira, passou por diferentes funções dentro das redações. Também estudou jornalismo em Paris com uma bolsa de estudos no início da década de 1960.

Ao longo dos anos 1960 e 1970, ocupou cargos de edição e chefia em diferentes publicações. Trabalhou no Correio da Manhã, Fatos & Fotos, O Cruzeiro e Visão. Mais tarde, passou por Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil.

Entre as reportagens de maior repercussão está a série “O Acre de Chico Mendes”, publicada em 1989. O trabalho sobre o seringueiro e ambientalista assassinado no Acre recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.

A relação de Zuenir com a história brasileira também resultou em outros livros, entre eles “Chico Mendes – Crime e Castigo”, “Minhas histórias dos outros” e “1968 – O que fizemos de nós”.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Além do jornalismo e da literatura, ele atuou como professor e participou de produções audiovisuais. Foi roteirista do documentário “Paulinho da Viola: Meu tempo é hoje”, dirigido por Izabel Jaguaribe.

Academia Brasileira de Letras

Zuenir Ventura foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em outubro de 2014, ocupando a cadeira 32, que anteriormente pertencia ao escritor Ariano Suassuna. A posse ocorreu em março de 2015.

Na ABL, passou a integrar uma instituição que reúne alguns dos principais nomes da literatura brasileira.

Ao longo da carreira, recebeu diferentes homenagens e premiações. Em 2008, foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua atuação em defesa dos direitos humanos. Dois anos depois, foi escolhido como “Jornalista do Ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Zuenir também manteve por anos uma coluna no jornal O Globo e continuou ligado à produção literária até a velhice. Seu último livro foi o romance “Sagrada Família”.

Com uma carreira marcada pela apuração jornalística, pela literatura e pela análise da sociedade brasileira, Zuenir Ventura deixa uma obra que atravessa diferentes períodos da história recente do país.

Compartilhar matéria

Siga no

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Minas Gerais

Prefeitura de BH assina contrato de R$ 307 milhões para a compra de 96 ônibus elétricos

Advogado é preso após Justiça identificar uso irregular de registros da OAB

Vítimas de acidente com ônibus de Itumirim (MG) são veladas, e vice-prefeita pede orações

Dino mantém decreto de Minas que proíbe publicidade de bets em bens públicos

Diagnosticado com Covid-19, Flavio Roscoe fica fora de debate

Sesc inaugura nova unidade em Januária nesta segunda-feira

Últimas notícias

Veja os números dos concorrentes de Otávio pela titularidade na Seleção

O que Cleitinho e Patrus não quiseram responder?

Gabigol tem aval de Pedrinho, mas Artur Jorge decidirá sobre volta ao Cruzeiro

Lula na ONU, greve da Caixa e mercados no radar

Caso Vorcaro: viagens de Moraes entram no centro do debate

Exportação de frutas cai em volume, mas preço sobe

Bets: proibição reacende debate sobre regulação e impostos

Juros: ciclo de cortes pode ir além dos 13,75%

Como a roupa pode influenciar seu desempenho no trabalho