A busca por uma mineração de baixo carbono deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a representar também uma oportunidade de negócios para o setor. É o que avalia Thiago Toscano, CEO da Itaminas, mineradora com atuação em Sarzedo, na Grande BH. Durante a Exposibram 2026, ele falou sobre os investimentos da empresa em um minério de maior qualidade e com menor impacto ambiental.
A Itaminas produziu 7,9 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025. Segundo Toscano, a empresa, que registrou 6,2 milhões de toneladas em 2024, deve ultrapassar a marca de 9 milhões de toneladas neste ano.
O executivo explica que, em um mercado sujeito a oscilações do dólar, do preço internacional do minério e dos custos de frete, uma das principais estratégias para reduzir os impactos da instabilidade é aumentar a produção e, principalmente, investir na qualidade do minério.
“Na mineração, tudo que você produz você vende. Então, a sua receita é muito determinada pelo volume de produção”, explicou.
Além do aumento da produção, a Itaminas aposta em um minério com maior teor de ferro e menos impurezas. Esse tipo de produto é considerado estratégico para a descarbonização da siderurgia, já que permite reduzir as emissões no processo de produção do aço.
Prêmio pelo minério de maior qualidade
Para Toscano, a transformação ambiental pode ser convertida em vantagem competitiva porque o mercado internacional já diferencia e remunera os minérios de maior qualidade.
Segundo ele, o minério com maior teor de ferro e menor quantidade de impurezas pode receber um prêmio de 10% a 12% sobre o preço de referência, chegando, em alguns momentos, a 15%.
“Esse minério, mais rico, com maior teor de ferro, menos impurezas, que emite menos carbono, também já é precificado”, afirmou.
Na avaliação do CEO, esse prêmio aumenta a segurança para que as empresas façam investimentos em novas tecnologias e processos de produção, já que existe uma perspectiva de retorno financeiro associada à busca por uma operação mais sustentável.
Quem paga a conta da descarbonização?
Um dos principais desafios, segundo Toscano, é justamente encontrar uma forma de financiar a transição para uma indústria de menor emissão de carbono.
“Todo mundo quer um mundo mais verde, mas ninguém quer mais mineração e ninguém quer pagar a conta”, disse.
Ele citou como exemplo a indústria automobilística. Para que o aço produzido com menor emissão de carbono seja utilizado em larga escala, uma das questões é saber se o consumidor estará disposto a pagar mais por produtos fabricados com esse material.
No caso do minério de ferro, porém, a existência de uma precificação específica para produtos de maior qualidade ajuda a criar um caminho para que a descarbonização também seja encarada como oportunidade econômica.
Estratégia para enfrentar a instabilidade
Além dos investimentos em produção e qualidade, a empresa utiliza instrumentos do mercado financeiro para reduzir os efeitos das oscilações de variáveis que estão fora do controle da mineradora.
Toscano cita operações com derivativos para proteger preços e câmbio e aumentar a previsibilidade das receitas.
“O preço do minério no mercado é definido pelo dólar, pelo preço do minério no mercado internacional e pelo frete. São variáveis que você não controla”, explicou.
Para o executivo, a combinação entre maior produtividade, minério de qualidade e mecanismos para reduzir a exposição às oscilações do mercado pode permitir que a mineração avance na agenda de descarbonização sem abrir mão da competitividade.
A declaração foi dada durante a Exposibram 2026, realizada no Expominas, em Belo Horizonte. Toscano participa do evento como palestrante em uma discussão sobre mineração de baixo carbono e sobre como transformar a descarbonização em competitividade e novos negócios.
