Candidato ao Senado pelo MDB, Manoel Carvalho defendeu a redução da concentração de recursos nas emendas parlamentares, a adoção da jornada de trabalho 5×2 e a utilização de parcerias público-privadas (PPPs) para ampliar os investimentos em ferrovias em Minas Gerais. As declarações foram dadas durante entrevista ao Start 98 News nesta terça-feira (1º/9).
Ligado ao agronegócio e ex-vice-prefeito de Muriaé, na Zona da Mata, Carvalho afirmou que pretende atuar pela ampliação dos investimentos no setor rural, além de defender mudanças na distribuição de recursos públicos entre União, estados e municípios.
Sobre as emendas parlamentares, o candidato criticou o modelo atual de distribuição e afirmou que os recursos deveriam chegar aos municípios de maneira mais proporcional, sem depender da influência política de deputados.
Segundo Carvalho, cidades pequenas e médias enfrentam dificuldades financeiras e acabam dependendo de articulações em Brasília para conseguir investimentos.
“Você falou certo. Nós temos que aumentar a alíquota de contribuição de acordo com a tabela do tamanho dos municípios e distribuir de maneira proporcional, não por questão de voto de deputado, por influência de deputado”, afirmou.
Carvalho também se posicionou a favor da mudança da escala 6×1 para a 5×2. Para ele, a redução dos dias trabalhados pode proporcionar mais tempo para os trabalhadores cuidarem da família e da saúde.
“Eu acho que o trabalhador brasileiro tem que ter mais tempo para a família, tem que ter mais tempo para cuidar da saúde”, disse.
O candidato reconheceu que a mudança pode afetar setores com atividades que não podem ser interrompidas, como a produção de leite, mas manteve o apoio à proposta. Na avaliação dele, trabalhadores mais descansados podem apresentar maior produtividade.
Ferrovias
Outro ponto defendido por Carvalho foi a retomada de investimentos em ferrovias no estado. O candidato afirmou que o transporte ferroviário é mais barato e eficiente para o deslocamento de cargas e pode beneficiar tanto o agronegócio quanto a exploração mineral.
Para viabilizar os projetos, ele defendeu uma parceria entre os governos estadual e federal e a iniciativa privada.
“Eu entendo que tem que ser parceria público-privada”, afirmou.
Carvalho citou a existência de trechos ferroviários que já foram utilizados no passado e defendeu estudos para identificar quais linhas poderiam ser reativadas.
Apoio ao agronegócio
Durante a entrevista, o candidato também defendeu medidas para reduzir o endividamento dos produtores rurais. Entre as propostas estão a renegociação e prorrogação de dívidas e a redução das taxas de juros.
Ele também defendeu a criação de um seguro rural e de um fundo garantidor para produtores que enfrentarem grandes perdas provocadas por eventos climáticos.
Na área do leite, Carvalho criticou a importação de produtos de países como Argentina e Uruguai. Para ele, a entrada de leite em pó, bebidas lácteas e outros derivados prejudica a competitividade dos produtores brasileiros.
Segurança e dívida de Minas
Na segurança pública, o candidato defendeu maior integração entre as polícias Civil, Militar, Federal e Penal, além de uma atuação conjunta dos governos federal e estadual.
Sobre a dívida de Minas Gerais com a União, Carvalho afirmou que o próximo governo estadual deve buscar diálogo com o governo federal, independentemente de diferenças partidárias. Ele também defendeu medidas para aumentar a arrecadação, gerar empregos e reduzir gastos da administração pública.
Questionado sobre um eventual impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Carvalho afirmou que cada processo deve ser analisado individualmente e não apresentou uma posição definitiva sobre a medida.
O candidato também declarou apoio à exploração de terras raras em Minas Gerais, desde que haja preferência para empresas brasileiras e, quando possível, que o processamento dos minerais seja realizado no próprio estado.
