Me pergunto se não está na hora de o partido responder aos ataques e ao senso comum que viraram as críticas à gestão de Fernando Pimentel à frente do governo de Minas, entre 2015 e 2018. E não me refiro a um interesse em melhorar a imagem pessoal do ex-governador. Refiro-me à necessidade de o partido se reestruturar por aqui. Afinal de contas, não dá para fingir que o problema não existe nem abrir mão de um Estado com o peso eleitoral de Minas.
Prova do problema que virou a gestão de Pimentel foi a dificuldade de encontrar algum petista que concordasse em colocar a estrela no peito na eleição. O medo deles era não só abrir mão de disputar outros cargos com mais chance de vitória, mas também de encerrar a própria carreira política. A associação dos adversários era, e é, óbvia.
Sobrou para Patrus Ananias. Mas a questão aqui é se não seria essa uma oportunidade para o partido tentar se reerguer no Estado. Não apenas para ter um bom palanque para Lula nem buscar uma vitória neste ano. Não está na hora de construir um projeto para o futuro? De investir em novas lideranças?
Com dificuldade de circular pelas redes sociais, a visibilidade que a campanha traz poderia ser o palanque perfeito para essa tentativa. Foi o que Lula fez em sua visita a Minas. Em Valadares, defendeu Pimentel, acusou Zema de ter espalhado “mentiras” sobre ele e disse que o governo de Michel Temer (MDB) foi culpado pela crise por se negar a renegociar a dívida de Minas. Importante, mas não suficiente.
Patrus tem fugido de debates e entrevistas. Nas que participou, optou por se distanciar do correligionário. Compreendo a estratégia na disputa atual, mas nunca mais o partido vai querer governar Minas?
Patrus, deputado federal pelo Estado, respondeu que não acompanhou a trajetória de Pimentel e não pode avaliar sua gestão. Como um deputado federal, petista, não acompanhou a história de um governo? Não se interessou pelo Estado que representa?
Petistas acusam Zema pelos danos à imagem da gestão petista. De fato, ele passou oito anos usando todas as oportunidades para culpar Pimentel pelos entraves de sua gestão. E ser o rosto por trás do atraso dos salários e da falta de repasses às prefeituras é uma defesa difícil de ser feita. Mas não dá para fingir que ele não existiu.
Os petistas alegam que, desde o início, Pimentel operou com um orçamento deficitário deixado pelas gestões tucanas. Dizem que as ameaças de impeachment tiraram seu foco e sua condição de governar; que o país passava por uma crise, que ele ficou com o impacto econômico da barragem de Mariana. E que Zema só teve dinheiro para governar por causa da indenização pela tragédia e da liminar no STF que foi o próprio Pimentel quem conseguiu.
Mas quando isso vai chegar a quem importa: o eleitor? Quando o PT vai assumir o controle da narrativa? Quem vai ter coragem de comprar essa briga?
