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Formar para empregar: a lacuna que Minas Gerais precisa superar

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Carteira de Trabalho (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

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Minas Gerais vive hoje um contraste no seu mercado de trabalho. Enquanto empresas de diferentes setores correm atrás de profissionais qualificados, milhares de mineiros, especialmente jovens, esbarram em obstáculos para entrar ou crescer no mercado de trabalho. O problema não está na quantidade de cursos oferecidos, mas na distância entre o que se ensina e o que o mercado realmente exige, hoje e nos próximos anos.

Os números do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o Estado registrou 108.977 novos postos com carteira assinada no primeiro semestre de 2026. Ao mesmo tempo, o Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027, do Observatório Nacional da Indústria, traz um alerta: Minas precisará qualificar cerca de 1,6 milhão de pessoas, entre quem busca o primeiro emprego e quem precisa atualizar competências. 

Logística, construção, manutenção e metalmecânica aparecem na linha de frente da demanda. Os dados indicam que a qualificação não pode ficar restrita ao campo da educação. Ela deve ser tratada como peça-chave do desenvolvimento econômico.

Minas dispõe de universidades, escolas técnicas e estrutura para formar em larga escala. Em 2025, foram anunciadas 50 mil vagas gratuitas em cursos técnicos. Mesmo assim, a oferta está longe de cobrir a necessidade, sem contar que a evasão nessas atividades chega a quase 50%. Outro ponto negativo é que, até hoje, não há um indicador oficial que diga quantos formados conseguem de fato um emprego na área em que se capacitaram e nele permanecem.

Ampliar vagas é necessário, mas não suficiente. É preciso garantir que cada curso esteja conectado à realidade produtiva de sua região e que a formação abra portas de fato. O perfil do Triângulo Mineiro, forte em agroindústria e logística, por exemplo, é diferente do que se tem no Quadrilátero Ferrífero, no Norte, na Zona da Mata ou no Sul do Estado. Daí a urgência de mapas regionais de competências, com foco nos investimentos, nas profissões que vão crescer e nas mudanças tecnológicas de cada território.

As empresas precisam participar da elaboração dos currículos de formação, abrir espaço para a prática e avisar com antecedência o que vão precisar contratar. Ao Estado, além de articular a aproximação entre universidades, sistema S e empresários, cabe coordenar esse esforço, cruzar informações e acompanhar resultados. O sucesso não se mede só por matrículas ou certificados, mas por quantos alunos concluíram os cursos, quantos foram contratados, qual a renda média e quanto tempo permanecem na área. 

Educar para o trabalho de verdade é preparar pessoas para oportunidades reais. Quando o ensino, a iniciativa privada e o planejamento regional caminham juntos, a qualificação deixa de entregar apenas diplomas e passa a entregar autonomia, produtividade e renda.

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Alexandre Kalil

Alexandre Kalil foi prefeito de Belo Horizonte de 2017 a 2022 e presidente do Atlético-MG de 2008 a 2014. Também comandou a Frente Mineira de Prefeitos e disputou o governo de Minas em 2022.

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