A crise envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro chegou oficialmente à mesa do presidente do Supremo Tribunal Federal.
André Mendonça encaminhou ao plenário a discussão sobre os elementos reunidos pela Polícia Federal e pretende que o caso seja examinado já na próxima semana. Agora, cabe a Edson Fachin decidir se e quando os onze ministros avaliarão a abertura de uma investigação contra Moraes.
Fachin está diante de duas alternativas: acolher a posição do procurador-geral Paulo Gonet, que pediu a nulidade do relatório e o arquivamento da apuração, ou levar o assunto ao plenário, em sessão pública, obrigando cada ministro a assumir sua posição.
A segunda opção é a única capaz de preservar a credibilidade do Supremo.
Se existem questionamentos sobre a legalidade da ordem de Mendonça, eles devem ser debatidos. Mas uma controvérsia processual não pode servir de pretexto para fazer desaparecer mensagens, contratos, metadados e referências a encontros já encontrados no celular de Vorcaro.
Fachin não deve administrar o caso esperando a poeira baixar. Deve pautá-lo rapidamente, com julgamento presencial, votos individuais e transparência completa.
O que está em jogo já não é apenas a situação de Alexandre de Moraes. É a capacidade do Supremo de investigar um de seus próprios integrantes.
Fachin pode oferecer ao país uma resposta institucional ou permitir que o silêncio seja interpretado como blindagem corporativa. A escolha agora é dele.
