A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro uma conversa em que o advogado Ciro Soares afirma ter recorrido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que um candidato desistisse da disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG). A informação foi divulgada pelo Poder360 na última terça-feira (1/9).
Segundo o relatório da PF, a conversa aconteceu em 14 de abril de 2024, três dias antes da eleição que terminou com a escolha de Jarbas Soares Júnior para comandar o CNPG. Na época, Jarbas era procurador-geral de Justiça de Minas Gerais e concorria à presidência do conselho, que reúne os chefes dos Ministérios Públicos estaduais e da União.
Nas mensagens, Ciro Soares conta a Vorcaro que teria pedido a Gonet para conversar com o adversário de Jarbas e convencê-lo a abandonar a candidatura. Em um áudio, o advogado afirma que Gonet teria ligado para o candidato e, depois, informado que ele desistiria da disputa.
A conversa teria ocorrido da seguinte maneira: Ciro diz a Vorcaro que pediu a Gonet para “pedir o cara para tirar a candidatura”. Depois, segundo o relato do advogado, Gonet teria retornado dizendo: “acabei de ligar para ele, ele vai desistir”.
Pouco depois, Ciro enviou a Vorcaro uma mensagem atribuída a Jarbas, na qual o então candidato agradecia pelo apoio recebido de outros procuradores-gerais e mencionava que ocuparia a presidência do CNPG por sete meses. Em seguida, Vorcaro perguntou se o outro candidato havia desistido. Ciro respondeu que sim, e o banqueiro comemorou: “Top demais”.
Jarbas acabou eleito por aclamação, ou seja, sem a necessidade de uma disputa entre candidatos.
Quem é Jarbas Soares Júnior?
Jarbas Soares Júnior é uma figura conhecida do Ministério Público de Minas Gerais. Ele comandou a instituição como procurador-geral de Justiça e também presidiu o CNPG.
Atualmente, Jarbas está envolvido na política eleitoral de Minas Gerais. Ele é candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Patrus Ananias, pelo PT, na disputa pelo Governo de Minas.
Como a PF encontrou as mensagens?
As informações fazem parte de um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal depois da análise do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB, o Banco de Brasília.
A análise do celular foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga uma possível rede de influência relacionada a Vorcaro.
O relatório reúne mensagens, áudios, registros de chamadas, contratos e outros documentos encontrados no aparelho.
A Rede 98 procurou Jarbas Soares Júnior para comentar o caso, mas ainda não teve resposta. O espaço permanece aberto.
