Que a campanha de Romeu Zema à Presidência naufragou é quase um consenso. Com números cada vez piores, sem ter como se diferenciar de Flávio Bolsonaro e com o desempenho ruim em entrevistas, a discussão no Partido Novo é se o ex-governador deve migrar para a disputa ao Senado. A ideia esbarra, no entanto, na resistência do próprio candidato.
Desde a pré-campanha, há uma pressão da legenda para que Zema seguisse um caminho diferente e buscasse uma vaga no Legislativo. A preferência era a Câmara dos Deputados, para que ele pudesse atuar como um puxador de votos para que o Novo vença a cláusula de barreira.
O problema é que Zema sempre deixou claro sua aversão ao trabalho do Legislativo. O ex-governador nunca gostou da costura política. Mas agora, com a pressão que vem sofrendo, quem é próximo a ele diz que apesar de mínima, a possibilidade não está descartada.
A campanha à Presidência já começa a ser desmobilizada, Augusto Cury desidratou ainda mais seus números nesta semana e até o candidato ao Senado em sua chapa está apoiando o concorrente. Ele virou Flávio aqui e Flávio lá.
A pressão vem também do PSD, com o argumento de que a mudança para o Senado seria mais honrosa que a simples desistência. Além disso, garantiria a presença de Zema em Minas, o que ainda não aconteceu e poderia beneficiar Mateus Simões (PSD), que tenta a reeleição.
Honrosa ou não, o que se sabe é que a preocupação comum a quem tem a política como carreira, de sair menor ou maior de uma disputa, não faz parte do rol de aflições do ex-governador. Para ele, voltar a Araxá ou mesmo viajar o país palestrando seria uma ótima alternativa.
