O candidato ao governo de Minas Gerais Flávio Roscoe (PL) afirmou, nesta segunda-feira (7/9), que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) precisam tomar uma “atitude imediata” diante das recentes revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Durante manifestação na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, Roscoe disse que “é hora de dar um basta”, saiu em defesa do ministro André Mendonça e afirmou que o país vive uma crise institucional. A candidata a vice-governadora na chapa, Ellen Miziara (PL), também participou do ato e criticou as instituições, além de defender maior presença feminina nos espaços de poder.
A manifestação ocorre no Dia da Independência e reúne políticos e apoiadores da direita na Praça da Liberdade, com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao STF.
Roscoe relacionou a data de 7 de Setembro à defesa da liberdade e afirmou que, na avaliação dele, a independência precisa ser reafirmada continuamente.
“O Dia de Setembro celebra a nossa independência e nós, brasileiros e mineiros, nunca podemos estar tranquilos, porque a independência se constrói a cada dia. Então, não é só a celebração, é um dia de reafirmar esse compromisso”, afirmou.
O candidato disse considerar que a liberdade dos brasileiros está “em risco” e fez acusações contra integrantes do Supremo.
“É hora da voz do povo, principalmente dos mineiros que estão aqui na Praça da Liberdade, em frente ao Palácio da Liberdade, que é o valor mais caro nosso, mineiro. Temos de reafirmar o nosso compromisso com esse valor e garantir que a liberdade esteja presente em todo o Brasil”, declarou.
‘É hora de dar um basta’
Ao direcionar as críticas a Alexandre de Moraes, Roscoe defendeu uma reação do Congresso e dos próprios integrantes do STF.
“Precisamos exigir do Congresso Nacional e dos próprios ministros do Supremo uma atitude imediata, pois é inadmissível que o ministro possa estar lá no poder depois dos fatos revelados em relação ao ministro Alexandre. É hora de dar um basta. Temos de botar limite em nome da população, em nome do futuro de Minas Gerais e do Brasil”, afirmou.
As declarações de Roscoe foram feitas em meio à crise no STF provocada pelas revelações relacionadas ao Banco Master e aos contatos de Daniel Vorcaro com autoridades. As acusações apresentadas pelo candidato contra Moraes representam a interpretação dele sobre os episódios divulgados.
Roscoe afirmou ainda que já alertava para riscos institucionais desde o período em que presidia a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Segundo ele, a entidade se manifestou sobre o tema quando o inquérito das fake news passou a ser alvo de questionamentos.
“Eu lamento muito essa crise. Isso não deveria estar acontecendo. Há quatro anos, a entidade que eu presidi fez um manifesto alertando, quando o inquérito das fake news começou, o risco que a população brasileira estava vivendo, o risco da democracia e da nossa liberdade”, disse.
Questionado sobre eventuais reflexos da crise na disputa eleitoral, Roscoe afirmou que não enxerga o episódio como algo que deva beneficiar sua candidatura.
“Isso não ajuda a campanha. Isso só mostra para a população quem estava defendendo as bandeiras corretas, quem estava dando o grito correto. E é isso que a população tem que ter consciência”, declarou.
Roscoe chama Mendonça de ‘herói’
O candidato também saiu em defesa do ministro André Mendonça ao ser questionado sobre os desdobramentos da crise dentro do Supremo.
Mendonça tornou público relatório da Polícia Federal com informações relacionadas às investigações do Banco Master e aos contatos de Vorcaro com autoridades. A divulgação ampliou as divergências dentro da Corte.
“O ministro André Mendonça teve a coragem de revelar as falhas que estavam acontecendo no nosso país”, afirmou Roscoe.
Na avaliação do candidato, as acusações que passaram a atingir Mendonça seriam uma tentativa de desviar o foco das revelações.
“Cria-se uma cortina de fumaça usando o mesmo inquérito das fake news para atacar o ministro André Mendonça. Isso é inconcebível, é inaceitável”, disse.
Roscoe também classificou Mendonça como um “herói” e afirmou não enxergar irregularidades na atuação do ministro.
“O ministro André Mendonça não tem nada a ver com os fatos. Ele já é um herói hoje para o Brasil”, declarou.
Segundo nome para o Senado
Durante a entrevista, Roscoe também foi questionado sobre a possibilidade de o PL definir apoio a um segundo candidato ao Senado em Minas. Neste ano, o eleitor mineiro escolherá dois senadores.
Roscoe afirmou que o candidato oficial do partido é Domingos Sávio (PL) e que, até o momento, não há uma decisão partidária sobre um segundo nome.
“Nós temos um candidato a Senado, que é o Domingos Sávio, e as pessoas, como têm dois candidatos, podem eventualmente apoiar um outro nome, mas não existe uma posição partidária”, afirmou.
“Pode ser que se evolua em algum momento com outro candidato, mas isso hoje ainda não é uma realidade”, acrescentou.
Ellen critica instituições e defende participação feminina
Ao lado de Roscoe no ato, Ellen Miziara afirmou que o Brasil atravessa uma “crise institucional sem precedentes” e defendeu que a população participe das manifestações políticas.
“O que está acontecendo no Brasil é uma crise institucional sem precedentes e eu acredito que as pessoas que estão do nosso lado, defendendo as bandeiras que a gente defende, têm que se levantar, ir às ruas e começar a se posicionar”, afirmou.
Ellen também fez críticas ao Supremo e ao Congresso Nacional, que classificou como “acovardado ou vendido”.
“Não adianta só a gente ficar sentado no sofá reclamando de tudo e apontando o dedo, sendo que essa responsabilidade também é nossa”, disse.
A candidata a vice também aproveitou a participação no ato para abordar a presença das mulheres na política. Ellen citou a dupla jornada feminina, a violência contra a mulher, a falta de vagas em creches e a independência financeira como problemas que precisam ser enfrentados por políticas públicas.
“Se você tem hoje mães que estão esperando os filhos terem vagas na creche, é porque as políticas que estão aí hoje não funcionaram. Se as mulheres hoje não têm autonomia, independência financeira, é porque as políticas que têm aí hoje não têm funcionado”, afirmou.
Para Ellen, a participação feminina na política deve ir além do cumprimento das cotas eleitorais.
“Hoje, a mulher na política é para além de cota. Ela significa representatividade, significa que a gente precisa estar ali em espaço de poder para ajudar na tomada de decisões. Porque só a gente sabe o que a gente vive na pele todos os dias”, declarou.
A candidata afirmou ainda que a presença de mulheres na equipe de Roscoe pesou positivamente na decisão de integrar a chapa.
“O Flávio tem a inteligência de ter mais da metade das pessoas que trabalham com ele mulheres e sabe melhor do que ninguém como é importante ter uma mulher ao lado dele. Então foi por isso que nós estamos aqui para somar junto com ele”, concluiu.