Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram um bate-boca durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (15/9). A discussão teve troca de acusações, questionamentos sobre a atuação da Polícia Federal (PF) e divergências sobre o andamento do julgamento analisado pela Corte.
Durante sua manifestação, Moraes questionou repetidamente quem teria receio da atuação da PF. “Quem tem medo da Polícia Federal, presidente? Quem tem medo da Polícia Federal?”, afirmou.
Mendonça reagiu e negou que a discussão estivesse relacionada a medo da corporação. “Não é questão de medo, não”, respondeu. Moraes, então, rebateu: “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”.
O embate aumentou de tom quando Moraes mencionou uma suposta reunião envolvendo Mendonça e defendeu que testemunhas sejam chamadas para esclarecer o episódio.
“Vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar, não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse”, declarou Moraes.
Antes que o ministro concluísse a afirmação, Mendonça interrompeu: “Isso é mentira”.
Moraes respondeu defendendo a convocação das pessoas que, segundo ele, poderiam esclarecer o caso. “Então vamos chamar testemunhas”, afirmou. Mendonça concordou: “Vamos chamar. Pode chamar quem quiser”.
Divergência sobre julgamento
Moraes também sustentou que o caso discutido nesta terça-feira não poderia ser analisado separadamente de outro julgamento previsto pela Corte. “Não há como julgar hoje sem julgar terça-feira”, afirmou.
Em outro momento da discussão, houve nova troca de acusações. Uma das falas de Alexandre de Moraes mencionou que o ministro André Mendonça estaria “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país”.
O debate também envolveu relatórios de inteligência. Moraes rejeitou a existência de documentos sem identificação e defendeu que os registros sejam consultados para identificar seus responsáveis.
“Não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é o relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados lá. É só pegar o registro, quem fez”, afirmou.
O ministro ainda voltou a defender que pessoas relacionadas ao episódio sejam ouvidas pelo Supremo. “Vamos chamar aqui nesse Supremo Tribunal Federal, além de advogados que já se colocaram à disposição”, disse.
