O Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos, anunciou um aumento de 0,25% na taxa básica de juros norte-americana, elevando o indicador para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão confirmou as projeções do mercado financeiro e interrompeu uma sequência de cinco reuniões consecutivas de manutenção dos juros, registrando a primeira alta em 3 anos.
O economista e comentarista da 98 News, Gustavo Andrade, analisa que a alta pode ser pontual e não significa que as novas decisões do Fed serão de novas altas.
“Quando a gente fala que vão subir os juros, não significa que estamos entrando em um ciclo de alta. Entrar em um ciclo de alta, sem saber onde termina e até onde pode se estender, tanto temporal quanto quantitativamente, é muito diferente de falar que talvez só regule para ganhar credibilidade no que está tentando fazer. Então, tem que separar esse ponto. Não significa que os juros americanos vão continuar subindo nas próximas reuniões.”
A decisão do Comitê foi impulsionada pela recente escalada no preço do petróleo, refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a preocupação com a pressão da inflação.
Ao mesmo tempo, o movimento aqui no Brasil tem sido o contrário, com um movimento esperado de corte na Selic. A atual taxa da Selic está em 14% e é esperado um corte para o patamar de 13,75% após a reunião do Copom desta quarta-feira. Segundo Gustavo Andrade, a alta na taxa norte-americana não significa que teremos um pausa nos cortes da taxa brasileira.
“Eu não acho que ele vai parar nos 13,75%. Acho que vai continuar cortando, pelo simples fato de que considero errôneo o entendimento de que a nossa desaceleração econômica está pouco pronunciada. O curto prazo ainda pode mostrar alguma atividade por pressões pontuais, mas isso não vai ser verdade no ano que vem, até porque vários dos estímulos desaparecem. Além disso, acho que estamos pré-contratando um choque de oferta de crédito muito maior do que todo mundo está pensando, seja para as famílias, para as empresas ou, dependendo do resultado eleitoral, para o próprio governo.”
Apesar do cenário externo incerto, o Fed ressaltou a resiliência dos gastos domésticos e a expansão da atividade econômica no país.
