O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira sobre sistemas estratégicos e criticou a pressão de multinacionais em seu discurso de abertura na 81ª Assembleia-Geral da ONU. Por sua vez, o chefe do Executivo destacou o caráter público da ferramenta de pagamentos instantâneos desenvolvida pelo Banco Central.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita, que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros e brasileiras.”
A declaração ocorre no contexto em que o Pix passou a ser questionado pelo governo dos Estados Unidos em investigações comerciais sobre o Brasil. De acordo com a avaliação do governo brasileiro, a ferramenta garante a democratização do acesso aos serviços bancários no país sem depender da intermediação de corporações internacionais.
Impacto das bets e regulação de big techs
Além das pautas financeiras, o presidente direcionou duras críticas à expansão vertiginosa das plataformas digitais de apostas esportivas e ao endividamento das famílias brasileiras. Nesse sentido, Lula enfatizou que a indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro e cravou que o país não aceitará a destruição de lares por esse modelo de negócio.
O presidente, além disso, estendeu as cobranças às grandes empresas de tecnologia e defendeu a regulamentação urgente da inteligência artificial e dos algoritmos. Dessa forma, Lula classificou como uma omissão histórica e imperdoável a falta de regras para o setor global de tecnologia.
“Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos.”
