Um dos assuntos mais comentados no futebol brasileiro na última semana foi a redução gradual do número de estrangeiros, que visa reduzir para apenas cinco a quantidade de jogadores nascidos fora do Brasil nos clubes do país.
De acordo com o estudo apresentado pela CBF Academy, a presença de estrangeiros com mais de 23 anos na Série A aumentou nos últimos anos, enquanto a participação de jogadores brasileiros mais jovens diminuiu.
Captação de estrangeiros no Atlético
Do lado do Galo, o time já atua “no limite” no futebol profissional, com nove jogadores estrangeiros no elenco. Para 2027, por exemplo, o Alvinegro já terá que reduzir a quantidade de estrangeiros, já que serão permitidos apenas oito relacionados por partida.
No entanto, desde o ano passado, o Atlético vem fazendo um trabalho de captação de estrangeiros para as categorias de base do clube. O principal alvo é o recrutamento de jovens no continente africano.
O Galo, inclusive, firmou uma parceria com o Kiala FC, clube fundado pela cantora Kelly Key e seu marido, Mico Freitas, em Angola. O projeto foi criado em 2024 e tem como principal objetivo formar jovens no futebol africano e encaminhá-los para outros clubes.
O maior exemplo da captação do Atlético na África é Mamady Cissé, jovem da Guiné que chegou para reforçar a base do Galo e atualmente integra o elenco profissional do clube, sendo considerado uma das maiores promessas do Alvinegro nos próximos anos.
Os ‘gringos’ na base atleticana
Em parceria com Rhuan Kaick, repórter especializado na cobertura das categorias de base do Atlético, a Rede 98 pôde apurar o número de estrangeiros que atuam na base do Galo.
Ao todo, são quatro jogadores: Luís Angulo, do Equador, e Taiwo Alao, da Nigéria, no Sub-20; Edgar Melgarejo, do Paraguai, no Sub-16; e Sebastian, da Colômbia, no Sub-12.
Além dos quatro, o Galo ainda tem mais quatro jogadores fechados para o futuro: Olasunkanmi Abass, da Nigéria, de 17 anos; Allan Pereira e Chausson, de Moçambique, também de 17 anos; e o jovem Hernani, de 14 anos. Todos só poderão atuar nas categorias de base do Atlético quando completarem 18 anos.
Fim do projeto?
Apesar da redução do número de estrangeiros, o projeto de captação das categorias de base do Galo não será afetado por dois motivos:
- Em primeiro lugar, a nova regra da CBF reduz apenas o número de estrangeiros relacionados por partida. Ou seja, os times poderão ter quantos estrangeiros quiserem no elenco, mas poderão relacionar apenas cinco para jogos da Série A e da Copa do Brasil, deixando os outros de fora.
- A medida não interfere nas categorias de base. Os clubes poderão contratar estrangeiros para as categorias de base, e os jovens poderão treinar normalmente. O empecilho será apenas na integração ao profissional: se o número de estrangeiros estiver no limite, a transição do jovem pode demorar mais que o esperado.
Vale lembrar que a medida da CBF prevê uma redução gradual até 2030. Até lá, os clubes brasileiros terão que reduzir apenas um jogador estrangeiro por ano no limite de relacionados por partida.
