A deputada estadual Lohanna França (PV), eleita deputada federal por Minas Gerais, afirmou que o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) tem a oportunidade de governar o estado sem ficar subordinado ao Partido Liberal (PL) ou à esquerda. Em entrevista à 98 News, nesta quinta-feira (15/10), ela avaliou que o resultado das eleições permite ao futuro governador construir uma gestão com mais autonomia em relação aos grupos políticos.
Para Lohanna, o fato de Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas, ter ficado em terceiro lugar na disputa contribui para que Cleitinho não tenha compromissos políticos com a legenda. A deputada, que integra a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), afirmou que não espera que o futuro governador conduza uma gestão alinhada às propostas que defende, mas considera que ele terá condições de colocar em prática as próprias ideias.
“Ele tem condição de fazer um governo que não deve nada ao PL. Ele também não deve nada à esquerda, mas pode fazer um governo dele, seja isso o que for, seja isso bom, seja isso ruim”, afirmou.
Lohanna também mencionou divergências entre Cleitinho e setores do PL, especialmente em relação à escala de trabalho 6×1. Segundo ela, o governador eleito tem a oportunidade de governar sem ficar preso a cobranças de grupos políticos que, na avaliação dela, não contribuíram para sua eleição.
Fim da escala 6×1 na campanha de Lula
Durante a entrevista, a deputada também comentou a aprovação do fim da escala 6×1 e os possíveis efeitos da pauta na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Lohanna afirmou que não existe uma estratégia única capaz de garantir a vitória eleitoral e defendeu que os apoiadores do presidente utilizem diferentes formas de mobilização, de acordo com suas experiências e habilidades. Ela citou ações nas ruas, nas redes sociais e o diálogo com eleitores de centro e centro-direita.
Na avaliação da deputada, Lula deve destacar as conquistas históricas dos trabalhadores e mostrar como a mobilização popular pode transformar demandas em políticas públicas.
“Acho que a função do presidente Lula nessa eleição é lembrar para as pessoas que tudo aquilo que já foi chamado de impossível se tornou realidade pela luta organizada dos trabalhadores”, disse.
Ela citou direitos como férias remuneradas, licença-maternidade, FGTS, seguro-desemprego e 13º salário como exemplos de conquistas que já enfrentaram resistência. Para a parlamentar, a discussão sobre a jornada de trabalho segue essa trajetória.
Lohanna também atribuiu importância à atuação de trabalhadores na mobilização pelo fim da escala 6×1 e afirmou que a pauta ultrapassou a polarização política por atender a uma demanda de parte expressiva da população.
A deputada, no entanto, reconheceu que o governo Lula cometeu erros e avaliou que o resultado das urnas indica a necessidade de rever aspectos da atuação política. Apesar disso, ela manifestou apoio à reeleição do presidente e criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.
Diálogo entre diferentes posições políticas
Eleita para a Câmara dos Deputados após exercer mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Lohanna afirmou que pretende manter a disposição para dialogar com parlamentares de diferentes campos ideológicos em Brasília.
Ela citou duas iniciativas que considera entre as principais realizações de seu mandato estadual: a lei que estabeleceu a permanência estudantil como política das universidades estaduais mineiras e a transferência do Hospital Universitário de Divinópolis, antes vinculado ao estado, para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Segundo a deputada, os projetos foram aprovados mesmo diante de divergências políticas e de sua posição crítica ao governo estadual. Para ela, a construção de acordos em torno de propostas de interesse público deve prevalecer sobre as diferenças partidárias.
Lohanna ressaltou, porém, que o diálogo não significa aceitar discursos discriminatórios ou contrários aos direitos de grupos sociais.
Combate à violência contra a mulher
Líder da bancada feminina na Assembleia Legislativa, Lohanna também defendeu a articulação entre parlamentares de diferentes partidos para enfrentar a violência contra as mulheres e o feminicídio.
A deputada destacou que Minas Gerais tem 853 municípios, mas conta com apenas uma delegacia especializada no atendimento às mulheres com funcionamento 24 horas. Para ela, a ampliação da estrutura de atendimento deve ser uma prioridade comum às parlamentares, independentemente de suas posições ideológicas.
“Tem muito problema de mulher para resolver naqueles em que a gente concorda antes de entrar naqueles em que a gente discorda”, afirmou.
Lohanna disse esperar que a bancada feminina consiga construir propostas conjuntas e cobrar avanços do governo estadual. Ela também manifestou expectativa de que Cleitinho tenha sensibilidade para tratar do tema durante a gestão.
Até janeiro, a parlamentar permanece no mandato de deputada estadual. A partir do próximo ano, assumirá uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde pretende atuar pelos próximos quatro anos.
