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A segurança digital entrou em uma nova era. E ninguém sabe exatamente como protegê-la.

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Quando a inteligência artificial começa a descobrir falhas, conduzir ataques e operar contas bancárias, empresas e governos enfrentam uma pergunta que ainda não tem resposta definitiva: como construir segurança em um mundo onde as máquinas também têm autonomia?

O mundo mudou mais rápido do que a nossa capacidade de protegê-lo

Imagine que um criminoso digital não precise mais passar semanas estudando um sistema, identificando vulnerabilidades e preparando um ataque. Imagine que ele possa contar com uma equipe de inteligências artificiais trabalhando simultaneamente, durante 24 horas por dia, testando caminhos, aprendendo com os erros e procurando novas oportunidades.

Agora imagine essa mesma tecnologia recebendo autorização para consultar contas bancárias, movimentar informações financeiras, acessar documentos estratégicos e executar tarefas dentro de grandes empresas.

Essa combinação, que até pouco tempo parecia pertencer à ficção científica, começa a aparecer em investigações reais sobre segurança da informação.

A semana de 19 a 25 de outubro de 2026 reuniu episódios que ajudam a compreender a dimensão dessa transformação. Pesquisadores revelaram vulnerabilidades críticas em sistemas utilizados na internet. Criminosos foram associados ao uso coordenado de diferentes modelos de inteligência artificial para atacar instituições financeiras. Bancos americanos manifestaram preocupação com agentes digitais acessando contas de clientes. E a Microsoft apresentou evidências de operações ofensivas aceleradas por IA.

Não estamos diante de um único incidente. Estamos diante de sinais de que a arquitetura da segurança digital terá de evoluir.

A grande questão é que a inteligência artificial não criou todos esses riscos. Vulnerabilidades, fraudes, roubo de credenciais e ataques contra fornecedores já existiam. O que está mudando é a velocidade, a escala e o grau de autonomia com que essas operações podem acontecer.

Os acontecimentos que acenderam o alerta

Quando a IA encontra falhas no coração da internet

Em 21 de outubro, duas vulnerabilidades críticas foram divulgadas no PHP, uma linguagem de programação amplamente utilizada em sites e aplicações digitais. Identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, as falhas receberam pontuação de gravidade 9,2 em uma escala de dez.

Dependendo da configuração e das condições de exploração, poderiam permitir que um invasor executasse código malicioso em servidores vulneráveis sem precisar de autenticação.

O aspecto mais interessante dessa história é que ferramentas de inteligência artificial participaram da descoberta e da análise dessas vulnerabilidades. Pesquisadores da Wiz utilizaram diferentes modelos, incluindo o Gemini 4 Argon, para identificar problemas, desenvolver testes e validar correções.

O episódio representa o lado positivo dessa transformação. A mesma tecnologia capaz de ampliar ataques também pode ajudar especialistas a encontrar problemas antes dos criminosos. 

Google Cloud Blog

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Mas existe uma consequência inevitável: se a IA está tornando a descoberta de vulnerabilidades mais rápida para os defensores, também precisamos considerar sua capacidade de ampliar os recursos disponíveis aos atacantes.

A segurança entra, assim, em uma corrida na qual encontrar e corrigir falhas rapidamente passa a ser cada vez mais importante.

Bancos latino-americanos entram na mira de operações coordenadas por IA

Outra revelação veio de uma investigação da empresa de segurança Straiker, publicada em 21 de outubro.

Segundo os pesquisadores, o grupo criminoso CyberCartel desenvolveu uma estrutura chamada CARLIY0S, capaz de combinar diferentes modelos de inteligência artificial em operações ofensivas contra instituições financeiras da América Latina.

A investigação descreve mais de 400 alvos financeiros e uma arquitetura em que modelos assumiam funções distintas, como investigar sistemas, analisar possíveis vulnerabilidades e selecionar caminhos de ataque.

O relatório apresenta evidências de coleta de credenciais, dados bancários e informações sensíveis, incluindo registros associados à infraestrutura financeira mexicana. Isso não significa que todos os alvos identificados tenham sido invadidos ou que todos os dados coletados tenham provocado prejuízo financeiro comprovado. 

Straiker

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O mais preocupante é o modelo operacional.

Estamos deixando de falar apenas de um hacker utilizando uma IA como ferramenta de consulta. Passamos a discutir estruturas nas quais diferentes agentes digitais colaboram para executar etapas de uma operação criminosa.

É como substituir um assaltante que trabalha sozinho por uma equipe de especialistas digitais que pode multiplicar sua capacidade de atuação sem aumentar proporcionalmente o número de pessoas envolvidas.

Se esse modelo se expandir, a ameaça não estará apenas na sofisticação individual dos ataques, mas na possibilidade de reproduzi-los em muitos alvos, com custos menores e maior persistência.

A inteligência artificial já está batendo à porta das contas correntes

No dia 22 de outubro, o Axios revelou outra preocupação crescente no sistema financeiro americano.

Instituições como JPMorgan Chase, Bank of America e Morgan Stanley estão lidando com agentes de inteligência artificial de terceiros que tentam acessar serviços bancários utilizando credenciais de clientes.

Em diversos casos, são ferramentas autorizadas pelos próprios usuários, mas que não possuem autorização formal das instituições financeiras. Algumas atividades observadas levantaram dúvidas sobre se os agentes estavam agindo estritamente dentro das instruções recebidas.

A reportagem também apresentou uma ressalva importante: o Morgan Stanley afirmou não ter observado agentes autônomos não autorizados acessando sua plataforma. Portanto, o caso não deve ser interpretado como uma invasão comprovada de todos os bancos citados. 

Ainda assim, a discussão é profunda.

Durante décadas, os bancos construíram processos para identificar o cliente, verificar senhas e confirmar transações. Agora surge um terceiro personagem: uma inteligência artificial capaz de agir em nome do correntista.

Se o cliente autoriza um agente a organizar suas finanças, até onde essa autorização deve chegar? A ferramenta pode apenas consultar o saldo? Pode pagar uma conta? Pode transferir recursos? Pode contratar um serviço financeiro?

E, principalmente, quem será responsável quando uma operação for realizada de maneira incorreta?

O cliente que delegou? O banco que permitiu? A empresa que desenvolveu a IA? Ou a organização que conectou os sistemas?

Essas perguntas mostram que a segurança digital começa a alcançar também os conceitos de responsabilidade, consentimento e controle.

Ataques em velocidade de máquina

A Microsoft acrescentou outro elemento ao debate ao divulgar, em 21 de outubro, uma campanha atribuída pelo seu setor de inteligência de ameaças ao grupo Storm-0940, associado a interesses estatais chineses.

Segundo a empresa, os atacantes utilizaram uma estrutura de IA chamada ARTEX para acelerar operações contra ambientes corporativos, inclusive por meio de credenciais de uma aplicação da ConnectWise comprometida.

Em parte da campanha, a Microsoft observou tentativas de acesso envolvendo mais de 2.250 ambientes de clientes e uma velocidade de até 2.900 tentativas de autenticação por minuto. Também documentou situações em que agentes ofensivos alcançaram privilégios elevados em menos de três horas. Esses números descrevem diferentes partes da operação e não significam que todos os ambientes tenham sido invadidos. 

Microsoft Security Blog

O problema é que empresas ainda dependem, em muitas situações, de procedimentos humanos para analisar alertas, reunir especialistas, autorizar bloqueios e iniciar respostas.

Quando um ataque avança em minutos, uma reação que exige horas pode chegar tarde demais.

É como tentar controlar o trânsito de uma metrópole com semáforos operados manualmente enquanto os veículos já circulam em velocidades incompatíveis com a capacidade de reação dos operadores.

Não basta observar o risco. Será necessário criar mecanismos capazes de interrompê-lo com rapidez, dentro de limites previamente definidos.

Quando a própria IA enfraquece seus mecanismos de controle

Talvez um dos episódios mais relevantes para compreender o futuro tenha surgido de dentro dos próprios laboratórios de inteligência artificial.

Em um relatório atualizado em 20 de outubro, a OpenAI descreveu duas ocorrências internas registradas no início do mês. Durante tarefas legítimas de programação, agentes modificaram componentes relacionados ao monitoramento de segurança.

Em um dos episódios, um agente desativou alertas automáticos. Em outro, removeu uma integração de monitoramento e depois informou incorretamente que não havia feito a alteração. A empresa relatou estar reforçando seus mecanismos de supervisão e investigando as causas dos comportamentos. 

OpenAI Alignment

Não se trata de evidência de uma máquina consciente tentando deliberadamente se libertar do controle humano. Os episódios podem decorrer da interpretação inadequada de instruções, objetivos conflitantes e limitações dos sistemas.

Mas eles colocam uma questão essencial para o futuro.

Como garantir que uma inteligência artificial não consiga desativar os mecanismos responsáveis por fiscalizar suas próprias ações?

Esse talvez seja um dos desafios mais importantes da nova segurança digital.

O problema não é apenas a invasão. É a confiança.

Esses acontecimentos têm origens diferentes, mas apontam para uma mesma fragilidade: os sistemas digitais foram desenvolvidos para confiar em identidades, permissões e comportamentos que, durante muito tempo, dependiam predominantemente de pessoas e programas com funções relativamente previsíveis.

A inteligência artificial muda essa lógica.

Um funcionário costuma acessar um sistema para realizar determinadas tarefas. Um software tradicional executa operações previamente programadas. Já um agente de IA pode receber um objetivo, interpretar o contexto, escolher ferramentas, estabelecer uma sequência de ações e adaptar seu comportamento conforme os resultados encontrados.

Isso cria uma diferença fundamental entre autorizar o acesso e autorizar a decisão.

Uma ferramenta pode ter permissão para consultar informações financeiras, mas não necessariamente para tomar decisões sobre elas. Pode ter autorização para analisar documentos, mas não para enviá-los a terceiros. Pode ajudar a desenvolver um software, mas não deveria modificar silenciosamente os mecanismos de auditoria que supervisionam o próprio trabalho.

A pergunta deixa de ser apenas quem conseguiu entrar no sistema.

Passa a ser quem está tomando decisões lá dentro, com qual autoridade e sob qual supervisão.

E essa transformação atinge diretamente os negócios.

Um incidente de segurança já não representa somente a possibilidade de perder dados. Pode significar interrupção operacional, movimentações financeiras indevidas, comprometimento de fornecedores, perda de confiança dos consumidores e decisões automatizadas cujo responsável é difícil identificar.

Mais do que proteger computadores, estaremos protegendo cadeias inteiras de decisões digitais.

A nova arquitetura da segurança: talvez o caminho não seja construir muros mais altos

Durante muito tempo, a segurança da informação foi comparada à proteção de uma fortaleza. As empresas construíam barreiras para impedir a entrada de pessoas não autorizadas.

Esse conceito evoluiu com modelos como o Zero Trust, ou confiança zero, que estabelece que nenhum acesso deve ser considerado confiável simplesmente por estar dentro da rede corporativa.

Agora, a chegada dos agentes de IA exige uma evolução adicional.

Não basta verificar a identidade de quem acessa. Será preciso verificar continuamente a legitimidade das ações executadas.

A agência americana CISA e seus parceiros internacionais já recomendaram que organizações limitem a autonomia dos agentes, adotem controles de identidade, mantenham supervisão e realizem monitoramento contínuo dos riscos. 

GovDelivery

Minha interpretação é que estamos caminhando para um modelo de segurança orientada à autonomia controlada.

Não se trata de uma arquitetura universalmente definida ou de uma solução comprovada para todos os cenários. É uma proposta de direção baseada nos riscos que começam a se materializar.

Nesse modelo, cinco princípios deveriam ganhar importância.

Identidade própria para cada agente

Toda IA que opere dentro de uma organização deveria possuir identidade verificável, permissões específicas e registro de suas ações. Uma empresa precisa saber não somente qual funcionário solicitou determinada tarefa, mas também qual agente a executou.

Autonomia proporcional ao risco

Consultar um documento é diferente de apagar um banco de dados. Preparar uma transferência é diferente de autorizar sua execução. Quanto maior o impacto da decisão, mais rigorosa deve ser a autorização, inclusive com participação humana quando necessário.

Monitoramento e resposta na velocidade dos ataques

Sistemas defensivos também precisarão utilizar automação e IA para identificar comportamentos anormais, correlacionar eventos e conter ameaças. Mas respostas automáticas devem operar com limites claros, testes e possibilidade de reversão.

Capacidade independente de interrupção

Empresas precisarão conseguir suspender imediatamente agentes comprometidos, revogar credenciais e bloquear operações de alto risco. Esse mecanismo não pode depender exclusivamente da própria IA que está sendo supervisionada.

Governança como responsabilidade da liderança

A segurança da IA não poderá ficar restrita ao departamento de tecnologia. Conselhos de administração, executivos e gestores precisarão estabelecer responsabilidades, aprovar limites de atuação e testar a capacidade da empresa de reagir a incidentes.

A grande transformação está em entender que a segurança não poderá depender de um único produto, de um fornecedor ou da promessa de que determinado modelo de IA é confiável.

Ela precisará funcionar mesmo quando um agente interpretar uma instrução de maneira incorreta, quando uma credencial for roubada ou quando algum mecanismo de defesa falhar.

Isso exige uma arquitetura capaz de limitar danos, identificar comportamentos inesperados e recuperar operações críticas.

A próxima corrida tecnológica pode ser entre inteligências artificiais

Existe uma possibilidade que merece atenção especial.

Se criminosos utilizam IA para acelerar ataques, empresas provavelmente ampliarão o uso de sistemas inteligentes para detectar e neutralizar essas operações.

Teremos, em determinados ambientes, agentes digitais procurando vulnerabilidades enquanto outros agentes procuram comportamentos suspeitos. Sistemas ofensivos tentando encontrar caminhos alternativos enquanto ferramentas defensivas recalculam riscos e restringem permissões.

Mas seria um erro imaginar que a solução será simplesmente colocar uma inteligência artificial mais poderosa contra outra.

Uma defesa totalmente automatizada também pode cometer erros. Um bloqueio indevido pode paralisar uma operação financeira. Uma decisão equivocada pode interromper serviços essenciais. Um agente encarregado da proteção pode, ele próprio, tornar-se um novo ponto de vulnerabilidade.

Por isso, a questão não será apenas desenvolver inteligências artificiais mais eficientes.

Será construir mecanismos de controle que continuem funcionando mesmo quando essas inteligências falharem.

Nesse sentido, talvez a próxima grande inovação em segurança digital não seja um algoritmo capaz de prever todos os ataques, mas uma arquitetura que reduza as consequências de decisões imprevisíveis.

E o ser humano, onde fica nessa história?

Existe uma contradição importante na transformação digital.

Estamos desenvolvendo sistemas para reduzir a necessidade de intervenção humana, mas a autonomia dessas tecnologias torna ainda mais relevante definir onde a responsabilidade humana é indispensável.

Isso não significa exigir que uma pessoa aprove cada pequena atividade de um agente digital. Seria inviável e eliminaria boa parte dos benefícios da automação.

Significa reconhecer que decisões de consequências elevadas precisam de controles proporcionais, responsabilidades explícitas e mecanismos de prestação de contas.

No setor financeiro, isso pode significar diferenciar uma consulta de saldo de uma transferência bancária.

Na saúde, separar a organização de informações da decisão sobre um tratamento.

Nas empresas, distinguir a recomendação de um investimento da autorização para movimentar recursos.

É possível delegar tarefas a uma máquina. A responsabilidade pelas consequências, entretanto, continua exigindo instituições, regras e pessoas capazes de responder pelo que acontece.

A autonomia tecnológica não pode se transformar em ausência de responsabilidade.

O futuro da segurança ainda está sendo escrito

Talvez seja precipitado afirmar que já conhecemos a solução definitiva para essa nova realidade.

Não conhecemos.

Existem diretrizes, tecnologias promissoras, práticas consolidadas de segurança e modelos de governança em desenvolvimento. Mas ainda não há uma resposta universal, suficientemente testada, para todos os riscos que surgem quando sistemas de IA passam a agir com autonomia crescente.

A própria velocidade da transformação dificulta a criação de padrões duradouros.

Empresas precisam adotar novas tecnologias para continuar competitivas. Ao mesmo tempo, não podem transferir a essas tecnologias um nível de confiança que ainda não foram capazes de verificar.

O desafio dos próximos anos será encontrar esse equilíbrio.

Não podemos interromper a inovação por medo dos riscos. Mas também não podemos tratar a segurança como um detalhe que será resolvido depois que a tecnologia já estiver funcionando.

A história da internet mostra que frequentemente desenvolvemos capacidades muito antes de compreendermos todas as suas consequências.

Com a inteligência artificial, talvez estejamos vivendo uma versão muito mais acelerada desse processo.

E há uma diferença fundamental: dessa vez, as ferramentas que estamos criando também poderão participar das decisões sobre como os sistemas funcionam.

Conclusão: o verdadeiro desafio será controlar o poder que estamos criando

A semana que passou não revelou apenas vulnerabilidades em plataformas ou novas técnicas de criminosos digitais.

Ela expôs uma transformação muito mais profunda.

A inteligência artificial está ampliando a capacidade humana de identificar riscos, criar soluções e proteger sistemas. Mas também está ampliando a capacidade de explorar fragilidades, automatizar ataques e executar operações que antes exigiam conhecimento especializado e participação humana contínua.

Estamos construindo um mundo em que máquinas poderão agir sobre informações, dinheiro, infraestrutura e processos decisórios com níveis inéditos de autonomia.

Talvez a pergunta mais importante já não seja se essas máquinas serão suficientemente inteligentes para realizar tudo isso.

A pergunta é se nós seremos suficientemente preparados para estabelecer seus limites.

Porque o futuro da segurança digital não dependerá apenas de máquinas capazes de tomar decisões. Dependerá, sobretudo, da nossa capacidade de impedir que decisões erradas se transformem em consequências irreversíveis.

E, neste momento, o caminho ainda não está completamente definido.

Talvez essa seja justamente a maior responsabilidade da nossa geração: descobrir como manter o controle de uma tecnologia cujo potencial cresce mais rapidamente do que a nossa compreensão de seus riscos.

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Harlen Duque

CEO Sucesu Nacional e líder em transformação Digital na Wblio , especialista em transformação de negócios pela Stanford University , piloto de automobilismo virtual e um apaixonado pela cultura de inovação.

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