O Avante confirmou a formação de uma federação partidária com o PRD e o Solidariedade e aguarda a validação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A informação foi confirmada pelo presidente estadual do Avante em Minas Gerais, Igor Eto, em entrevista à 98 News nesta quinta-feira (29/10). Segundo ele, a união busca garantir a continuidade da atuação política da legenda após o partido não alcançar a cláusula de desempenho nas eleições de 2026.
De acordo com Eto, a federação foi construída a partir de conversas conduzidas pela direção nacional do Avante, presidido pelo deputado federal Luiz Tibé. O dirigente mineiro afirmou que a aproximação com o PRD e o Solidariedade ocorreu de forma rápida, devido à semelhança entre as propostas das três siglas.
“São partidos que trabalham menos com a polarização e com lados ideológicos e focam mais em benefícios concretos, realizações concretas, em atividades municipalistas, que é muito o que a gente acredita também”, afirmou.
O presidente estadual explicou que o Avante tinha como principal objetivo eleitoral atingir a cláusula de desempenho, requisito que garante acesso a recursos do Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão. A legenda conseguiu cumprir os critérios em seis estados, mas ficou abaixo do necessário no resultado nacional.
Segundo Eto, a polarização política em estados como Minas Gerais e São Paulo prejudicou o desempenho eleitoral do partido. Com isso, a federação passou a ser uma alternativa para manter a legenda em condições de disputar espaço na política nacional.
Federação pode ampliar bancada na Assembleia de Minas
Em Minas Gerais, a formação da federação também pode alterar a composição política do grupo na Assembleia Legislativa (ALMG). Atualmente, o Avante elegeu dois deputados estaduais: Carol Caram, reeleita com mais de 75 mil votos, e João de Deus, que assumirá uma cadeira na próxima legislatura.
Com a união, o grupo poderá reunir cinco parlamentares na Assembleia, somando os dois deputados do Avante aos três do PRD: Roberto Andrade, Fernando Breno e Juca Bahia. A composição, no entanto, depende da confirmação da federação pelo TSE.
Eto reconheceu que a situação do Avante após o resultado eleitoral gerou incertezas entre os parlamentares sobre o futuro político e as condições de atuação dentro da legenda. Por isso, ele disse ter pedido paciência aos deputados até que a reorganização partidária seja concluída.
O dirigente também comentou a possibilidade de Carol Caram deixar o partido. Segundo ele, uma nova rodada de conversas deverá ocorrer após a confirmação da federação, com a participação dos integrantes das três siglas.
“Partido não é prisão. Partido é uma casa onde as pessoas têm que se sentir bem com as ideias, com o caminho, com o direcionamento que o partido dá”, declarou.
Avante está aberto a diálogo com governo Cleitinho
A federação também deverá participar das discussões sobre o posicionamento político em relação ao governo de Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais. Eto afirmou que o Avante está aberto ao diálogo e à construção de propostas com a próxima gestão.
Segundo o presidente estadual, a disposição de conversar está relacionada à confiança na capacidade de gestão do governador eleito e do vice-governador Falcão, além do apoio popular conquistado por Cleitinho.
Eto destacou, porém, que o próximo governo terá o desafio de ampliar os benefícios para a população sem comprometer o equilíbrio fiscal do estado. Entre os temas citados por ele estão a redução de impostos e os descontos no IPVA.
“O desafio de avançar em políticas públicas, ser mais agressivo em benefícios para a população, em desoneração fiscal, desconto de imposto, IPVA, tudo mais, ao mesmo tempo que se mantém o equilíbrio fiscal, é algo muito desafiador”, afirmou.
Para Eto, a avaliação do governo deverá considerar os resultados concretos entregues à população, especialmente nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.
O dirigente também ressaltou que o Avante mantém uma postura de centro e não condiciona sua atuação a alinhamentos ideológicos fixos. Como exemplo, citou a convivência, em legislaturas anteriores, de parlamentares ligados a diferentes campos políticos dentro da mesma sigla.
A definição sobre o posicionamento da federação em relação ao governo estadual deverá ocorrer após as conversas entre os partidos e a confirmação da união pelo TSE.
