Vinte e cinco deputados dos Estados Unidos cobraram explicações do governo Donald Trump sobre uma possível participação na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil com destino ao território americano. Os parlamentares enviaram uma carta ao Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, nesta quinta-feira (29/10).
O pedido ocorre após o jornal The New York Times revelar que Jason Miller, um dos principais conselheiros de Trump, providenciou o jatinho que transportou Flávio da Argentina para os Estados Unidos.
Os deputados querem saber se o Departamento de Estado conhecia o plano de viagem e se algum órgão americano colaborou com a operação. Também questionam como o senador conseguiu entrar no país, mesmo após o cancelamento de seus passaportes e a proibição de deixar o Brasil.
A restrição foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da Polícia Federal. Flávio deixou o país acompanhado da esposa e das duas filhas. A família desembarcou na Flórida na quarta-feira (28/10).
Deputados questionam concessão de vistos
A carta reúne 15 perguntas sobre a atuação do governo americano. Entre os questionamentos estão o conhecimento das autoridades sobre as investigações contra Flávio no Brasil e os possíveis reflexos do episódio nas relações diplomáticas entre os dois países.
Os parlamentares também querem saber se recursos diplomáticos ou mecanismos de imigração foram utilizados para facilitar a entrada do senador nos Estados Unidos.
O documento é assinado por integrantes do Partido Democrata, que faz oposição ao presidente Donald Trump. Entre os autores estão membros da Comissão de Relações Exteriores do Congresso americano.
O Departamento de Estado foi procurado, mas não comentou o recebimento da carta. A pasta tem até 13 de novembro para responder aos parlamentares.
Flávio se declara presidente eleito sem apresentar provas
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro e aliados divulgaram um comunicado no qual o senador se declarou “presidente eleito” do Brasil. O texto também alegou fraude nas urnas, mas não apresentou provas.
A acusação não foi reiterada pela Justiça Eleitoral, por integrantes da campanha presidencial de Flávio ou pelo próprio PL. Depois de críticas, o senador alterou a expressão “presidente eleito” para “líder do Brasil”.
