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Sem crescimento: o custo de um Brasil fechado ao mundo

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Desde 1981 o nosso PIB cresceu em média apenas 2,5% ao ano, menos da metade do que crescemos nas décadas de 50 e 70 (foto: Agência Brasil)

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O Brasil segue travado numa armadilha de baixo crescimento, baixa produtividade e baixa competitividade internacional e não é de hoje. Desde 1981 o nosso PIB cresceu em média apenas 2,5% ao ano, menos da metade do que crescemos nas décadas de 50 e 70.

A verdade é que enquanto o mundo se integrou, buscou acordos comerciais, atraiu investimentos e ganhou escala, o Brasil se fechou, apostando em protecionismo, tarifas altas e políticas de substituição de importações que envelheceram mal. O resultado é visível, perdemos espaço no comércio internacional, ficamos para trás em inovação, temos uma indústria menos eficiente e nosso consumidor paga mais caro por produtos que poderiam ser mais baratos e de melhor qualidade.

Hoje, o Brasil representa apenas 1,5% do PIB global, ou seja, 98,5% do mercado mundial ainda está lá fora e as nossas empresas não estão competindo por ele. Isso significa menos exportações, menos investimento e menos geração de emprego de qualidade. Abrir a economia não é um salto no escuro, é uma estratégia testada com sucesso por dezenas de países.

Significa permitir mais competição saudável, mais acesso à tecnologia e insumos modernos, mais incentivos à produtividade e à inovação. Também significa tornar o Brasil mais atrativo para receber investimentos externos, especialmente em setores onde temos vantagens comparativas: agricultura de baixo carbono, energia limpa, biotecnologia, minerais estratégicos e cadeias verdes. Só temos protagonismo nessas cadeias se formos um país conectado com o resto do mundo. Mas abrir economia exige responsabilidade.

É preciso acompanhar essa abertura com reformas estruturais, uma reforma tributária que reduz o custo de produzir, investimentos em infraestrutura, melhoria logística, desburocratização e segurança jurídica. Não se trata de abandonar a indústria nacional, mas de tornar mais preparada para competir em pé de igualdade com o resto do mundo. O protecionismo prolongado não protege, apenas acomoda e perpetua ineficiências. E mais, abrir a economia dá poder de escolha ao consumidor brasileiro, que poderá acessar produtos melhores, mais baratos e mais variados.

É também abrir a oportunidade para empreendedores brasileiros exportarem mais e se conectarem com cadeias globais. Em resumo, é pensar o Brasil como um país pronto para competir e não como um país que se protege por medo de perder. Em economia, não existe alquimia. Sem produtividade, sem escala, sem competição, não há crescimento sustentável. O Brasil precisa fazer escolhas e abrir a economia é uma delas.

É uma decisão difícil, exige coragem de política e visão de longo prazo, mas é a única capaz de romper o ciclo de baixo crescimento e colocar o país na rota da prosperidade.

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Izak Carlos

É economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Formado em economia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com MBA em Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas, mestrado e doutorado em economia aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), já atuou como economista, especialista e consultor econômico da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Izak também é sócio-diretor da Axion Macrofinance e Especialista do Instituto Millenium.

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