O cancelamento da 5ª etapa da BRB Stock Car, prevista para acontecer em Belo Horizonte, acendeu o alerta sobre os impactos da insegurança jurídica na realização de grandes eventos em Minas Gerais. A decisão de retirar a prova da capital foi confirmada por Sérgio Sette Câmara, CEO da Speed Seven, empresa responsável pela organização do Stock Car Festival, em entrevista à Rede 98.
Segundo o empresário, impasses com órgãos públicos, especialmente com o Ministério Público Federal (MPF), foram determinantes para a não realização da etapa em 2025. “A insegurança jurídica foi o motivo que levou ao cancelamento da Stock Car em Belo Horizonte”, afirmou. Entre as polêmicas citadas estão as divergências em torno das medições de poluição sonora próximas à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que já haviam gerado conflitos em edições anteriores do evento.
O caso da Stock Car exemplifica como entraves jurídicos e institucionais podem afetar a tomada de decisão de investidores e organizadores de eventos. “O empresário faz uma conta simples: se em outro lugar há mais segurança e previsibilidade, é para lá que o evento vai”, comentou o colunista e comentarista do Programa “Meio Dia em Pauta”, Gustavo Moreira. A etapa que não será mais realizada em BH deve ocorrer novamente em Cascavel, no Paraná, cidade que, no ano anterior, recebeu o evento após polêmicas semelhantes na capital mineira.
Os impactos vão além do cancelamento em si. De acordo com dados da edição de 2024 da Stock Car em Belo Horizonte, o evento gerou 250 milhões de reais em movimentação econômica na região metropolitana durante os dias de realização. Foram 4 mil empregos indiretos criados e 100% de ocupação hoteleira na região da Pampulha, além de 75% de ocupação da rede hoteleira da capital, números significativamente acima da média habitual.
Gustavo Andrade alerta que os prejuízos não se limitam à dimensão financeira imediata. “É a imagem da cidade que se desgasta. Sinais de insegurança jurídica afastam futuros investimentos e dificultam a consolidação de Belo Horizonte no circuito de grandes eventos nacionais”, avalia Gustavo. “A perda, nesse sentido, é também qualitativa: o evento poderia contribuir para posicionar a cidade no radar da indústria de serviços, turismo e entretenimento”, completou o comentarista.
Além disso, há o impacto direto na população, que perde com a retração de setores como hotelaria, transporte, alimentação e comércio. “Cada turista que deixamos de receber é uma renda que deixa de circular internamente”, destaca Gustavo Andrade. O receio, agora, é que outras iniciativas culturais e esportivas deixem de considerar Belo Horizonte como sede diante do cenário de instabilidade institucional.
Embora a organização da Stock Car não descarte a possibilidade de retornar à capital mineira em 2026, o empresário Sérgio Sette Câmara foi direto: “Se a insegurança jurídica continuar, 2026 pode ser o último ano da Stock Car em Belo Horizonte.”