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Taxa das Blusinhas: quem paga a conta é o consumidor pobre

Por

Izak Carlos

Izak Carlos
  • 04/08/2025
  • 11:52

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A ideia inicial do governo era proteger a indústria nacional e equilibrar a competição com o varejo estrangeiro, mas o que se vê na prática é outra realidade (Joédson Alves/Agência Brasil)

A ideia inicial do governo era proteger a indústria nacional e equilibrar a competição com o varejo estrangeiro, mas o que se vê na prática é outra realidade (Joédson Alves/Agência Brasil)

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Uma pesquisa divulgada nesta semana escancarou um efeito colateral importante da chamada “taxa das blusinhas”. A medida impactou com mais força justamente os consumidores de menor renda. O tributo que incide sobre compras internacionais de baixo valor, como as feitas em plataformas de e-commerce, elevou preços e reduziu o acesso de milhares de brasileiros a produtos básicos, muitas vezes inacessíveis no varejo nacional.

A ideia inicial do governo era proteger a indústria nacional e equilibrar a competição com o varejo estrangeiro, mas o que se vê na prática é outra realidade. Consumidores de menor renda, especialmente mulheres e jovens das periferias, viram suas opções de consumo reduzidas e seu orçamento mais apertado.

Para quem ganha pouco, a diferença de R$ 10 ou R$ 20 em uma peça de roupa ou calçado é significativa. Quando se perde acesso aos produtos mais baratos, perde-se também qualidade de vida. Mais uma vez, o problema não está no objetivo declarado da política, mas em sua implementação e nos seus efeitos práticos. O governo optou por uma medida generalista, sem diferenciar perfis de consumo, sem estudar impactos sociais e sem oferecer alternativa de transição.

E pior: fez isso em um momento de renda comprimida e de inflação de alimentos ainda elevada. Quando um país tenta proteger seu mercado interno por meio do fechamento comercial, o resultado imediato pode até parecer positivo para determinados setores produtivos. Mas, no médio e longo prazo, os efeitos mais evidentes são a queda da concorrência, o aumento dos preços e a estagnação da produtividade.

Menos concorrência significa menos pressão por inovação, eficiência e melhora da qualidade. E são justamente os consumidores mais pobres que pagam mais caro por isso, com menos acesso, menos escolha e mais custos.

É importante lembrar que países com economias abertas tendem a ter produtos mais baratos, mais opções de consumo e cadeias produtivas mais eficientes. Proteger a indústria é legítimo, mas isso deve ser feito com política industrial inteligente, investimento em capacitação, tecnologia e infraestrutura, e não com tarifa em cima da blusinha da dona Maria, que tenta economizar no fim do mês.

Em economia, não existe alquimia: quando se reduz concorrência e se aumentam artificialmente os preços com a justificativa de proteção, o impacto final será sempre o mesmo: menos acesso, mais custo e mais desigualdade. Fechar a economia é punir justamente quem mais precisa de alternativas.

Aqui, vemos alguma semelhança com o que Donald Trump faz na economia dos Estados Unidos? Pois é.

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Izak Carlos

É economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Formado em economia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com MBA em Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas, mestrado e doutorado em economia aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), já atuou como economista, especialista e consultor econômico da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Izak também é sócio-diretor da Axion Macrofinance e Especialista do Instituto Millenium.

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