PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mútuas em pauta: proteção patrimonial mutualista é tema de encontro no Rio de Janeiro

Siga no

(Foto: Xiko César / Rede 98)

Compartilhar matéria

A proteção patrimonial mutualista é tema de um encontro que acontece nesta sexta-feira (15/08), no Rio de Janeiro.

Batizado de “O novo sistema de Proteção Patrimonial Mutualista e seus desafios legais e regulatórios”, o evento é organizado pela Confederação Nacional de Proteção Patrimonial Mutualista e contece no Hotel Fairmont Rio, em Copacabana. Entre os presentes, representantes do Judiciário, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), de associações, federações e confederações do segmento.

Participam do encontro o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, o ministro do Superior Tribunal de Justila, João Otávio Noronha, o Diretor da Susep, Airton Renato de Almeida Filho e o presidente da Confederação Nacional de Mútuas do Brasil, Kleber Vitor.

A agenda acontece no mesmo dia em que a Susep publica o edital de Consulta Pública nº 2/2025, que abre o espaço para que a sociedade contribua com a construção da regulamentação das operações de proteção patrimonial mutualista — as chamadas associações mutualistas.

Segurança jurídica ampliada

Para o ministro do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio Noronha, a regulamentação as associações garante mais segurança ao setor e seus associados. “Agora o Estado traça as regras, que esperamos que sejam claras. Há também uma fiscalização da SUSEP”, explica. “O mutualismo torna-se um instituto institucionalizado no país”, completa.

Em fala à coluna, Noronha rebate críticas ao chamado “excesso de judicialização”. “Se você tiver um temor de judicialização do Brasil, não vão fazer nada. O Brasil é o campeão da judicialização”, analisa o ministro. “Se você olhar, é [judicialização em] companhias aéreas, plano de saúde. O brasileiro aprendeu a litigar, e nós temos uma indústria bem montada de litigância no país”, completa. “Ninguém pode pensar que vai navegar em qualquer área econômica sem litígio. Isso não acontece no Brasil”, conclui.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, destacou a segurança jurídica e econômica da Proteção Patrimonial Mutualista. “Sob o âmbito econômico da asa do direito o mutualismo, a proteção patrimonial mutualista, ela é eficiente”, explica. “É importante considerar que, quando um sistema de justiça do direito não é eficiente, esse país é conjurado do ranking do business do Banco Mundial. Por que ninguém quer trabalhar em um lugar que você não sabe o que pode e o que não pode fazer”, completa.

Regulamentação das mútuas

As associações de proteção patrimonial mutualista — conhecidas também como associações ou mútuas — foram regulamentadas por meio da Lei Complementar nº 213/2025, publicada em 16 de janeiro. A norma define o marco legal para as mútuas, estabelece regras para a atuação de cooperativas de seguros e operações de proteção patrimonial mutualista e coloca o setor jurisdicionado à Susep.

Para o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), articulador da aprovação da Lei Complementar no Congresso, o próximo passo é a discussão da nova norma, junto à sociedade. “Agora esse texto de regulação infralegal será submetido a consulta pública. Depois ele pode ser levado uma audiência pública para, na sequência, aprovado por todos e todas do setor mutualista começarmos a regulação”, explica.

Para Lopes, esta é a terceira fase da regulação da norma. “A primeira foi a aprovação [da lei]. A segunda foi o cadastramento, quando 2.217 associações do mutualismo se cadastraram. Essas estão em processo de regulação”, elenca o parlamentar. “A sociedade brasileira pode confiar nessas associações mutualistas para proteger seu patrimônio. Elas serão reguladas e supervisionadas pela Susep, que é a superintendência de seguros, dentro dessa especificidade que é o mutualismo”.

O deputado destaca a importância do mutualismo para a cadeia produtiva do Brasil. “O mutualismo hoje deve ser uma fonte geradora de oportunidades, de empregabilidade direta quase 2 milhões de pessoas no ecossistema”, explica. “Estamos falando de uma proteção, em especial a proteção patrimonial veicular, e é uma cadeia muito longa. Você tem ali a venda do carro, a produção do carro, as oficinas, os prestadores de serviço, essas duas mil e tantas entidades, elas empregam diretamente na operação mais de cemil pessoas”, completa.

Mútuas ganham mais prazo para regularizar

O Procurador-Geral da OAB, Sérgio Leonardo, destacou a ampliação do prazo para que as mútuas regularizem seus status junto à Susep. “Foi concebido inicialmente um prazo de 180 dias para poder fazer o cadastro na Susep, mas saiu uma resolução agora estabelecendo todo um procedimento que pode durar 18 meses. Então é muito importante que nós tenhamos a compreensão do judiciário, especialmente em primeiro grau, para suspender o andamento das ações penais até que as entidades possam se regularizar e, ao final julgar, extinta a punibilidade”, explica. “Porque o espírito da lei é trazer esse mercado para legalidade, é regulamentar, disciplinar, fiscalizar para que essa importante atividade econômica possa gerar empregos, tributos e renda”, completa.

Proteção patrimonial x Seguro

Para a Diretora Jurídica da Confederação Nacional de Proteção Patrimonial, Fabiana Sant’Anna, é necessária uma compreensão do Judiciário das diferenças entre a proteção patrimonial mutualista e o seguro. 

“A norma que foi publicada ontem reitera aquilo que já está disposto na Lei Complementar para dizer que esses sistemas são absolutamente apartados. Até então, a jurisprudência aplicava de forma massiva o mesmo entendimento dos contratos de seguro para as relações mutualistas de proteção. O nosso desafio agora é uma conscientização dos operantes do direito, dos advogados e também do Judiciário de entender que estamos falando de sistemas distintos e, principalmente, entender que um dos princípios centrais do mutualismo é a autonomia da vontade”, afirma. “Há uma grande diferença entre as duas relações, a relação securitária e a relação da proteção patrimonial”.

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

A decisão foi revista. Mas a crise parece estar longe de acabar

Tarifa Zero: a conta que só troca de bolso

Tadeuzinho rumo ao TCE

Vitória eleitoral, derrota econômica: é o Brasil na encruzilhada de 2026

A Justiça que copia e cola. Se ninguém leu, quem decidiu?

Zema, do gestor ao presidente imaginável

Últimas notícias

Após novas críticas, Tite aponta caminho para melhorar relação com a torcida do Cruzeiro

Com um jogador a menos, Atlético perde para o Grêmio

Torcida do Cruzeiro grita ‘Adeus Tite’ após empate com o Corinthians

Cruzeiro empata com o Corinthians e segue sem vencer no Brasileirão

Senado aprova vulnerabilidade absoluta para menor de 14 anos

Atlético e América se unem em campanha de solidariedade às vítimas das chuvas na Zona da Mata

Bombeiros resgatam mais de 100 vítimas das chuvas em Matias Barbosa

Netflix mostra primeiras cenas de ex-Atlético como campeão do mundo na Copa de 70

Desembargador fala em ‘corrigir erros’ ao rever absolvição de abusador de 35 anos em MG