PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A revolução tecnológica da bariátrica: videolaparoscopia, robótica e novos medicamentos

Siga no

(Foto: Pexels/Divulgação)

Compartilhar matéria

Até o início dos anos 2000, a cirurgia bariátrica era marcada por grandes incisões, internações longas e recuperação dolorosa. O cenário mudou radicalmente com a chegada da videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que hoje representa a maior parte dos procedimentos no Brasil.

“A maioria dos pacientes que opera pela manhã já está em casa no dia seguinte. Em até 10 dias, muitos estão de volta ao trabalho”, aponta o cirurgião bariátrico e secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Dr. René Berindoague.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Com pequenas incisões e o auxílio de câmeras, o método garante menos dor, cicatrizes discretas e menor risco de complicações. Segundo dados da SBCBM, mais de 90% das cirurgias já utilizam essa técnica.

Cirurgia robótica: a precisão do futuro

O próximo passo da evolução é a cirurgia robótica, cada vez mais presente nos centros especializados. Nela, o cirurgião comanda braços robóticos com visão tridimensional ampliada, o que garante precisão superior e menos chance de erro. “A robótica está cada vez mais presente e aumenta a segurança do procedimento”, coloca o Dr. René Berindoague.

De acordo com a SBCBM, embora o custo ainda seja alto, a tendência é que a tecnologia se torne mais acessível à medida que mais hospitais passem a adotá-la. Hoje, o Brasil tem pouco mais de 100 plataformas robóticas instaladas, mas a previsão é de crescimento rápido, principalmente nas capitais.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Dois pé em cima de uma balança que marca 116 quilos
Sobrepeso e obesidade pesam na saúde dos pacientes e também nos custos da saúde pública (Foto: Pexels/Divulgação)

Impacto direto na expectativa de vida

Os avanços não são apenas técnicos. Eles se refletem diretamente na sobrevida dos pacientes. Estudos internacionais mostram que a cirurgia bariátrica pode reduzir em até 50% o risco de morte precoce entre obesos graves.

“Estudos mostram que pacientes que emagrecem com a cirurgia têm redução expressiva no risco de morte precoce, entre os 40 e 60 anos”, destaca o médico cirurgião geral e diretor da Clínica Cronos, Mauro Jácome.

Além de prolongar a vida, o procedimento reduz a necessidade de medicamentos, melhora a qualidade do sono e devolve ao paciente a capacidade de realizar atividades simples que antes eram limitadas pelo excesso de peso.

Novos medicamentos entram em cena

Mas nem só de bisturi vive a revolução da bariátrica. A última década trouxe também medicamentos inovadores, como as chamadas “canetas emagrecedoras” — análogos do GLP-1, originalmente usados no tratamento do diabetes, e que hoje são aliados poderosos contra a obesidade.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“Essas medicações podem reduzir de 15 a 20% do peso corporal. Em alguns casos, já permitem rever a necessidade da cirurgia”, observa Cláudia Leite, farmacêutica e bariatricada.

Para Cláudia, cirurgia e medicamentos não são excludentes. Pelo contrário: podem ser complementares, especialmente em pacientes com obesidade grave. A avaliação, no entanto, deve ser criteriosa e envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo acompanhamento psicológico.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o uso desses medicamentos pode reduzir significativamente complicações cardiovasculares, mas ainda enfrenta desafios de custo e acesso no Brasil.

Mulher em sobrepeso faz esteira na academia
Atividade física é mais do que essencial no processo de emagrecimento e também depois da bariátrica (Foto: Pexels/Divulgação)

O desafio de democratizar a tecnologia

Apesar dos avanços, o acesso desigual ainda é um problema. Enquanto hospitais privados oferecem recursos de ponta, como a robótica, o SUS realiza pouco mais de 6 mil cirurgias bariátricas por semestre, segundo o Datasus. Muitas delas ainda dependem de técnicas convencionais.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A SBCBM defende a ampliação da videolaparoscopia na rede pública como forma de reduzir custos a longo prazo. Cada cirurgia realizada significa economia futura em tratamentos caros de diabetes, hipertensão e problemas cardíacos.

Um futuro de integração

A bariátrica não é mais apenas cirurgia. Hoje, é um conjunto de possibilidades que incluem técnicas minimamente invasivas, tecnologia robótica, medicamentos modernos e acompanhamento multidisciplinar. O paciente tem cada vez mais opções — mas também mais responsabilidades.

“A tendência é que a tecnologia torne a bariátrica um tratamento mais precoce, e não o último recurso. Mas nunca será um milagre: é parte de um programa completo de cuidado do paciente”, aponta o Dr. René Berindoague.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Com 68% da população brasileira acima do peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade, a urgência é clara. A revolução tecnológica está ajudando a salvar vidas, mas ainda precisa ser democratizada para alcançar quem mais precisa.

Compartilhar matéria

Siga no

Flávia Ivo

Coordenadora de Produção de Jornalismo da 98News, Flávia Ivo é jornalista e publicitária com 25 anos de carreira em redações, comunicação e marketing. Foi chefe de reportagem da BandNews FM BH, além editora-adjunta e editora de moda do jornal Hoje em Dia

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

Lab-to-Lab Pardini leva inovação e debates sobre medicina diagnóstica ao CBAC 2026

Bolsonaro tem picos de pressão alta durante a semana, diz boletim médico

Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do Brasil na Copa; queda na próxima partida pode chegar a 20%

Ibovespa sobe após fala de Galípolo no BC

Brasil destaca café sustentável em evento na Bélgica

IA muda o papel da liderança nas empresas

Últimas notícias

Cabo Verde empata com a Arábia Saudita e vai ao mata-mata da Copa do Mundo

Espanha vence, elimina Uruguai e se classifica em primeiro do Grupo H da Copa do Mundo

PF conclui que Flávio Bolsonaro cometeu calúnia contra Lula e envia caso ao STF

Modelo brasileira está entre as vítimas dos terremotos na Venezuela

EUA bombardeiam Estreito de Ormuz, após Trump acusar Irã de violação de cessar-fogo

Vôlei: Brasil é superado pela Itália, seu 2º revés na Liga das Nações

Justiça suspende processo de cassação de Lucas Ganem na Câmara de BH

Senegal goleia Iraque e fica vivo em disputa para o mata-mata da Copa

Com hat-trick de Dembelé, França vence a Noruega e garante classificação invicta na Copa do Mundo