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Acordo Mercosul-União Europeia é ‘caminho para a ratificação após 25 anos de negociações’, aponta especialista

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(Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert / PR )

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Após um quarto de século de tratativas, o encerramento das negociações do maior acordo de livre comércio já firmado entre o Mercosul e a União Europeia marca um ponto de virada histórico para o comércio global. O pacto representa uma posição estratégica de reserva de mercado, sinalizando uma aproximação robusta entre os dois blocos.

O foco agora se volta para os próximos passos fundamentais: a aprovação doméstica pelos 27 Estados-membros da União Europeia e a implementação gradual de salvaguardas para equilibrar as economias envolvidas.

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De acordo com Wilson Mendonça, consultor em relações internacionais e professor da Skema Business School, a recente mudança de postura da Itália, que anteriormente se alinhava à França e Polônia contra o pacto, foi um fator decisivo para o avanço atual. “Percebemos agora que as salvaguardas também que foram ofertadas nesse intervalo de tempo ajudaram muitíssimo para que esse acordo se encaminhasse agora para a aprovação doméstica desses 27 estados”, explica o especialista.

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Fatores geopolíticos e o “timing” do acordo

O cenário internacional funcionou como um catalisador para o fechamento do texto. A Guerra na Ucrânia, que comprometeu o fornecimento de commodities para a Europa, e a guerra tarifária iniciada por Donald Trump, aceleraram o processo de decisão em ambos os lados do Atlântico. Mendonça destaca que ter uma reserva de mercado entre Mercosul e UE é uma estratégia “louvável” em um momento de incertezas econômicas e ameaças às normas comerciais globais.

Impactos no mercado brasileiro

Para o consumidor brasileiro, o acordo promete transformar o acesso ao consumo. Segundo o professor, “abre-se aí uma porta de acesso a inúmeros bens de alto valor agregado, inúmeros bens industriais que haviam por muitos anos sido protegidos por grande parte da indústria brasileira”.

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Apesar do otimismo, Mendonça pondera que existem preocupações legítimas sobre a competitividade de setores específicos da indústria nacional que serão afetados pela entrada de produtos europeus. No entanto, ele reforça que haverá uma “leitura progressiva ao longo dos anos” e investigações contínuas para assegurar que o acordo não prejudique o mercado de nenhuma das regiões de forma desproporcional.

O objetivo final, conforme defende Mendonça, é que as salvaguardas “favoreçam o desenvolvimento e o bem-estar das duas populações”, garantindo que o comércio multilateral saia fortalecido dessa negociação histórica.

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Lucas Rage

Coordenador de jornalismo da Rádio 98 FM. Formado em Comunicação Social pela Faculdade Fumec. Com passagens pelo Jornal Estado de Minas/Portal Uai, Rock Content e CDL/FM.

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