Minas Gerais é o único destino brasileiro listado pela revista Condé Nast Traveler entre os Melhores Lugares para Comer em 2026. A publicação, referência mundial em turismo e experiências gastronômicas, destacou o estado pela força de sua culinária tradicional, pelo protagonismo de ingredientes locais e pela forma como essas raízes vêm sendo reinterpretadas por chefs e produtores, especialmente em Belo Horizonte.
Na descrição dedicada ao estado, a revista ressalta que Minas é internacionalmente conhecida por sua culinária caseira, construída a partir de receitas passadas de geração em geração e do uso intenso de ingredientes locais, como queijos e cafés. Esse patrimônio, antes mais restrito ao interior, passou a ganhar maior visibilidade com a valorização da gastronomia em Belo Horizonte, onde tradições mineiras chegam às mesas de restaurantes contemporâneos e alcançam um público mais amplo.
Um dos principais destaques do texto é o reconhecimento concedido pela UNESCO, em dezembro de 2024, à produção artesanal do queijo mineiro. O modo de fazer foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o primeiro relacionado à alimentação no Brasil. A chancela reconhece a tradição de 106 municípios mineiros onde, há mais de 300 anos, os queijos são produzidos com leite cru, coalho natural e o “pingo”, fermento próprio de cada fazenda.
Dentro desse universo, a cidade de Serro ganha atenção especial. O queijo homônimo, de sabor suave e levemente ácido, transformou a região em foco da segunda rota turística oficial de Minas Gerais. Com cerca de 800 pequenos produtores e fazendas familiares, o roteiro autoguiado convida visitantes a acompanhar de perto o processo artesanal de produção e a conhecer um patrimônio gastronômico que atravessa a Cordilheira do Espinhaço. Experiências como as oferecidas pela Fazenda Ventura e pela Fazenda Córrego do Taboão combinam visitas a estábulos, laticínios, museus e degustações de queijos e doces preparados em forno a lenha.
O interior do estado também aparece associado ao crescimento do enoturismo. Tiradentes, cidade histórica fundada no século XVIII e sede do mais antigo festival gastronômico do Brasil, vive uma nova fase marcada pela produção de vinhos. Vinícolas como Luiz Porto, em Tiradentes, e Trindade, na vizinha Bichinho, oferecem degustações com vista para a Serra de São José. Já a cerca de 50 minutos dali, a vinícola Mil Vidas aposta na técnica da dupla poda, que permite a colheita no inverno brasileiro, e propõe harmonizações de vinhos com queijos premiados.
A revista também relembra a importância do Festival Cultural e Gastronômico de Tiradentes, criado em 1998, quando a cidade ainda tinha poucos restaurantes. Hoje, o evento segue sendo realizado anualmente em agosto e reflete a evolução da cena local, que reúne desde casas tradicionais, como o Tragaluz, instalado em um casarão colonial de 300 anos, até propostas contemporâneas, como o Angatu, comandado pelo chef Rodolfo Mayer.
Na capital mineira, a Condé Nast Traveler aponta uma cena gastronômica em constante expansão. Chefs consagrados, como Leo Paixão, do Glouton, convivem com nomes de uma nova geração que vem reinterpretando a cozinha mineira e os tradicionais botecos da cidade. Entre eles estão Caio Soter, do Pacato, e Bruna Martins, do Gata Gorda, responsável pelo Birosca, que recentemente mudou para um novo endereço no bairro de Lourdes. Ainda assim, a publicação destaca que clássicos como o Xapuri e o Mercado Central seguem sendo paradas obrigatórias para quem quer entender a identidade gastronômica de Minas.
Além da lista de Melhores Lugares para Comer, Minas Gerais também aparece entre os Melhores Lugares para Visitar na América Central e do Sul em 2026, consolidando o estado como um dos principais destinos gastronômicos e culturais do continente.
A Condé Nast Traveler é uma publicação de origem norte-americana, mas com sede em Londres. A revista é reconhecida internacionalmente por cobrir experiências de viagem de alto padrão, com foco em destinos, gastronomia e turismo de qualidade ao redor do mundo.
