A Assembleia Nacional da França analisa, nesta segunda-feira (26/1), um projeto de lei que pode mudar drasticamente a relação dos jovens com a tecnologia. Os deputados votam, em primeira instância, a proibição do acesso a redes sociais para menores de 15 anos e o banimento do uso de telefones celulares dentro das escolas de ensino médio.
As medidas têm o respaldo direto do presidente Emmanuel Macron e se baseiam em alertas de saúde pública. No início deste mês, a Agência Francesa de Segurança (ANSES) reiterou que plataformas como Instagram, TikTok e X (antigo Twitter) prejudicam seriamente a saúde mental de adolescentes.
Os riscos apontados
O relatório da ANSES e especialistas favoráveis à lei listam uma série de danos estruturais causados pelo consumo desenfreado de conteúdo digital:
Saúde Mental: Incentivo à anorexia, depressão e comportamentos suicidas através de algoritmos de recomendação.
Fisiologia: Distúrbios do sono, sedentarismo e aumento dos casos de miopia.
Segurança: Exposição ao cyberbullying e conteúdos violentos.
Contrapontos e desafios técnicos
Apesar do apoio governamental, a proposta enfrenta resistência de organizações de pais, estudantes e especialistas que veem a proibição como uma “resposta simples para um problema complexo”.
Os principais argumentos contrários incluem:
Educação Digital: A defesa de que educar para o uso consciente é mais eficaz do que a interdição total.
Eficácia Técnica: O questionamento sobre como fiscalizar a medida, dado que jovens podem usar VPNs (Redes Privadas Virtuais) para mascarar a idade e localização.
Falta de Dados: Alguns especialistas afirmam que não há evidências científicas de que o banimento total resolva as causas estruturais dos problemas psicológicos.
