PUBLICIDADE
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Pacheco no União Brasil? O raciocínio não fecha

Siga no

A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que Lula insiste em Rodrigo Pacheco como nome para disputar o governo de Minas Gerais (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Compartilhar matéria

A semana termina com um recado direto do centro do poder. Em entrevista coletiva em Brasília, a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que Lula insiste em Rodrigo Pacheco como nome para disputar o governo de Minas Gerais. A frase parece simples, mas carrega uma ansiedade bem brasileira. O Planalto precisa de um palanque robusto no segundo maior colégio eleitoral do país, e quer alguém com trânsito institucional, estatura nacional e perfil de centro.

Só que política não vive apenas de vontade. Vive de engrenagem: partido, alianças, acordos, compromissos e coerência mínima de estratégia. E, quando a conversa sai do, Lula quer, e entra no o sistema partidário permite, surge um obstáculo difícil de ignorar: não é razoável nem coerente, imaginar Rodrigo Pacheco se filiando ao União Brasil (ou à federação União/PP) como solução eleitoral para Lula em Minas.

O primeiro problema: coerência estratégica

A lógica é elementar: União Brasil e PP já sinalizaram alinhamento para estar contra Lula em 2026. Se o partido se prepara para fazer oposição, por que entregaria ao presidente justamente o nome que poderia resolver o seu maior gargalo eleitoral em Minas? Seria como um time anunciar que vai jogar contra e, no aquecimento, emprestar o goleiro ao adversário. Política aceita muita contradição, mas não costuma aceitar contradição que destrói a própria estratégia.

O segundo problema: a palavra da cúpula

Há um ponto ainda mais robusto do que qualquer leitura opinativa: o comando partidário. Segundo relatos ouvidos por essa coluna e que remetem a interlocução direta com as cúpulas, os presidentes nacionais do União Brasil e do PP têm repetido, há meses, a mesma sentença: a chance de filiação de Pacheco na federação é “zero”. Quando a negativa não é eventual, mas reiterada, ela vira posição institucional. E a posição institucional só muda com sinal claro de mudança, algo que, até aqui, não aparece.

O terceiro problema: acordos já amarrados

A política é um mercado de promessas, e promessas viram contratos informais. O que esse colunista apurou, aponta que já existe um desenho interno. Há um candidato ao Senado já declarado dentro da federação, e esse desenho depende de uma chapa específica, na qual Mateus Simões é o candidato ao governo. Isso não é detalhe: é a estrutura do palanque.

Trazer Pacheco para dentro, nesse cenário, não seria somar um nome. Seria reabrir espaço, renegociar compromisso, redistribuir poder, reacender disputas internas e, possivelmente, criar o tipo de fratura que ninguém quer às vésperas de eleição. Em política, o preço da deslealdade costuma ser mais alto do que o preço do recuo.

O quarto problema: as direções estaduais confirmam o mesmo desenho

E não é apenas a cúpula nacional. O relato inclui que os presidentes estaduais do PP e do União também vêm reforçando publicamente a mesma configuração: apoio ao candidato ao Senado da federação e apoio ao projeto majoritário já anunciado, com Mateus Simões ao governo. Quando nacional e estadual repetem a mesma linha, fica ainda mais difícil sustentar a ideia de que vai acontecer o contrário como se fosse um segredo bem guardado.

Por que o boato circula, então?

A circulação dessa hipótese pode ter função tática. Ela tem o poder desestabilizar um grupo com ruído interno, obrigar lideranças a gastar energia negando, testar lealdades e medir reações, e tirar foco da agenda de construção e colocar o adversário na defensiva.

A “notícia” pode sobreviver mesmo sem prova, porque o objetivo, muitas vezes, é agitar. E agitar, em pré-campanha, é útil.

A pergunta que encerra o assunto

No fim, há uma questão simples que desmonta toda a narrativa: quem banca essa versão com nome e sobrenome? É Pacheco dizendo que vai? É o comando do União Brasil dizendo que vai? É o PP dizendo que vai?
Se não…

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Colunistas

Orelha e o país sem limite

Fórum Econômico Mundial, Davos 2026 e o Agronegócio

Quando a caminhada incomoda mais do que a corrupção

A escolha do STF: ou autolimitação ou bisturi de fora

Palanque em construção, aliança em manutenção: a incerteza nas eleições em Minas

ISS na base do PIS e da Cofins: o que está em jogo no julgamento do Tema 118 no STF

Últimas notícias

Justiça ordena que redes excluam informações sobre adolescentes suspeitos de matar cão Orelha

VÍDEO: Carro despenca de alça de acesso após motorista tentar ajustar cadeirinha do filho em BH

Bernard afirma que atuação contra o Palmeiras mostrou do que o Atlético é capaz em 2026

Abel Ferreira sai em defesa da arbitragem após Atlético x Palmeiras: ‘erros vão sempre acontecer’

Passeata em BH pede justiça por Orelha, cachorro morto em Santa Catarina

Avenida Amazonas segue interditada há mais de 12 horas após tombamento de carreta em BH

Resultado do Sisu 2026 é divulgado e aprovados já podem se preparar para a matrícula

Queda de avião na Colômbia deixa 15 mortos, incluindo deputado regional

Everson vê Atlético ‘claramente prejudicado’ pela arbitragem contra o Palmeiras