A primeira semana de fevereiro marca a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data foi incluída no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) com um objetivo claro: disseminar informações educativas e preventivas para reduzir os índices de gestação precoce no Brasil, um tema que vai muito além da questão social e impacta diretamente a saúde pública.
A escolha do início de fevereiro para a campanha visa pautar o debate logo no começo do ano letivo e antes do Carnaval, período em que o diálogo sobre proteção e autocuidado precisa ser reforçado. Para Gisele Maciel, ginecologista, obstetra e mestre em Saúde da Criança e da Mulher, a informação técnica é a maior ferramenta contra as múltiplas barreiras que ainda impedem os jovens de acessar métodos contraceptivos eficazes.
Mitos e barreiras no acesso à saúde
Segundo Gisele Maciel, o Brasil ainda enfrenta obstáculos severos, como o medo do julgamento nos postos de saúde e a desinformação sobre a segurança dos métodos. “Muitos adolescentes acreditam erroneamente que não podem usar determinados contraceptivos ou temem a falta de confidencialidade, especialmente em cidades menores”, explica a médica.
A desinformação propagada em redes sociais também é um fator de risco. Vídeos sem base científica geram medos infundados sobre efeitos colaterais, levando jovens a abandonarem métodos seguros ou a confiarem em práticas ineficazes. Para a especialista, a presença de informações éticas e baseadas em evidências nesses espaços é urgente.
Riscos biológicos e o uso de métodos de longa duração
Do ponto de vista físico, a gestação na adolescência exige muito de um corpo ainda em desenvolvimento. A Dra. Gisele Maciel alerta que os riscos biológicos são reais: há maior incidência de anemia, hipertensão gestacional e parto prematuro.
⚠️ Riscos biológicos reais
- Hipertensão gestacional
- Anemia severa
- Parto prematuro
- Baixo peso do recém-nascido
✅ A eficácia do LARC
Métodos de longa duração (como o DIU) são indicados pela FEBRASGO para adolescentes:
- Altamente seguros
- Totalmente reversíveis
- Sem impeditivo legal
Como solução altamente eficaz, a médica destaca os métodos de longa duração, conhecidos como LARC, como o DIU.
“Não há impeditivo médico ou legal para o uso de LARC por adolescentes, inclusive para as que ainda não tiveram filhos. A FEBRASGO reconhece esses métodos como seguros, reversíveis e fundamentais para o planejamento reprodutivo”, afirma Gisele.
O papel dos pais: cuidado, não vigilância
A orientação para as famílias é transformar o tabu em medida de saúde. Gisele Maciel reforça que falar sobre contracepção não é dar “permissão” para o sexo, mas sim oferecer proteção. O diálogo deve ser gradual e acolhedor, priorizando a escuta. Iniciar essa conversa em casa, segundo ela, ajuda a criar um vínculo de confiança que protege o adolescente de escolhas baseadas em mitos.
