A Quaresma é o período de 40 dias em que os cristãos se preparam para a Páscoa, a principal celebração do calendário litúrgico. O ciclo começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor. Em 2026, a Quaresma se estende até o dia 2 de abril, quando se inicia o Tríduo Pascal.
Origem e simbolismo dos 40 dias
O número 40 possui forte simbolismo bíblico e histórico. Ele faz referência direta aos 40 dias de Jesus no deserto em oração e jejum antes de seu ministério público, mas também ecoa os 40 anos do povo de Israel no Egito e os 40 dias do dilúvio de Noé. Para a teologia cristã, esse tempo não é de luto, mas de “retirada espiritual” para reflexão e mudança de vida.
Os três pilares: oração, jejum e esmola
Para que a Quaresma seja vivida plenamente, a Igreja propõe três pilares fundamentais. A oração busca a conexão com o divino; o jejum trabalha o autodomínio e a disciplina; e a esmola (ou caridade) foca no olhar para o próximo.
Por que os domingos não entram na contagem?
Embora o período entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa some 46 dias no calendário, a contagem oficial da Quaresma exclui os domingos. Isso ocorre porque, para a Igreja Católica, o domingo é sempre considerado um “dia santo” e de festa, celebrando a Ressurreição de Cristo. Por ter esse caráter festivo e de alegria, o domingo nunca é um dia de penitência ou jejum obrigatório, servindo como uma pausa nas privações quaresmais para que os fiéis se revigorem na celebração da vida.
Tipos de penitência
Diferente da abstinência de carne obrigatória em dias específicos, a penitência quaresmal é uma escolha pessoal do fiel e pode variar conforme a realidade de cada um:
Privação alimentar: A forma mais tradicional, envolvendo a abdicação de doces, refrigerantes, bebidas alcoólicas ou carnes específicas.
Penitência digital: Muitos fiéis optam pelo “jejum de redes sociais” ou limitam o tempo de tela para dedicar mais tempo à leitura e meditação.
Práticas de caridade: Dedicar o valor economizado com o jejum para doações ou realizar trabalho voluntário em asilos e orfanatos.
O objetivo dessas práticas é fortalecer a disciplina espiritual e preparar o fiel para as celebrações da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
