O governador Zema defendeu uma mudança estrutural na distribuição de recursos no Brasil. Em entrevista exclusiva à 98 News, nesta sexta-feira (20/2), ele criticou a concentração financeira em Brasília, classificando a capital federal como “ilha da fantasia”, e argumentou que a verba deve permanecer nos municípios e estados para garantir eficiência e evitar a dependência de parlamentares.
“A maior parte dele [recurso de impostos] que puder ficar onde é gerado é o ideal. Você hoje leva tudo para Brasília ou uma parte muito grande, muito maior do que deveria e aí você tem uma concentração de poder muito grande e quando tem concentração de poder ocorre isso que nós estamos assistindo aí, esses grandes abusos”, afirmou.
“Ficam os prefeitos indo à capital do estado ou à Brasília, ‘com pires na mão’, pedindo recursos, dependendo de deputados que muitas vezes utilizam isso [dinheiro de emendas] de forma não muito republicana”, criticou.
Ele defendeu que o recurso arrecadado com impostos fique onde é gerado.
“É necessário que mais recursos fiquem nos municípios e também nos estados. Que vá para Brasília somente aqueles recursos de infraestrutura nacional, as BRs que conectam uma região, um estado a outro, e não recursos que são para aplicar localmente. Depois fica o prefeito sendo quase que chantageado por alguns parlamentares: ‘se você não me apoiar, se você não fizer isso, eu não te mando recurso para você terminar de asfaltar essa avenida aí’. Por que esse dinheiro já não ficou lá para ele asfaltar a avenida? Ele ia ganhar tempo e nós íamos ter um sistema muito mais funcional. O Brasil é disfuncional”, afirmou.
O custo das emendas sem transparência
Questionado pelo jornalista Guilherme Ibraim sobre as emendas turbinadas e o orçamento secreto, Zema classificou a prática como “muito danosa”. O governador alertou para o risco de corrupção sistêmica nestes repasses sem destinação clara, comparando o mecanismo a “rachadinhas escondidas”.
“Muito danosa. Primeiro que parece que tem essas emendas pix que ninguém sabe no que vai se transformar. Sim, mas no volume muito menor do que o atual e com total transparência, o parlamentar ser obrigado a prestar contas da aplicação daquele recurso nos mínimos detalhes e para algumas áreas e algumas questões. Tipo: ‘eu mandei uma emenda para comprar um tomógrafo para o hospital tal’ e não ‘eu mandei uma emenda para contratar um trabalho tal que ninguém sabe direito o que é’. E o que a maioria das emendas hoje fazem é isso, entende?”
“Então, não fica transparente, tem muito rolo aí, rolo grave, que aí essa contratação já envolve alguém que é pré-indicado, alguém que foi contratado e vai mandar dinheiro para não sei onde. Vamos dizer, quase que umas rachadinhas escondidas, entende? E quem tá pagando a conta é você, eu e quem tá nos escutando”, disse.
