Belo Horizonte pode ter, em breve, uma estratégia voltada à segurança dos motociclistas: a pista exclusiva para motos, conhecida em alguns lugares do Brasil como Faixa Azul. A prefeitura ainda aguarda o sinal verde da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o que deve acontecer até o próximo mês. Enquanto isso, a capital mineira vive um aumento da violência de acidentes com este tipo de veículo. Em 2025 houve uma alta de 8,3% no número de mortes nas ocorrências em comparação com 2024.
O número de acidentes envolvendo as motos impressiona. São mais de uma vítima por ocorrência a cada hora. De janeiro a dezembro do ano passado, 12.204 pessoas ficaram feridas em Belo Horizonte, uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2024. O número de mortes na capital mineira saltou de 96 para 104.
O corredor mais perigoso na cidade é o Anel Rodoviário, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Foram 639 acidentes com vítimas em 2025. Seguido pela Cristiano Machado (610), Antônio Carlos (359), Amazonas (303), e Contorno (279).
Projeto em avaliação
Para tentar frear esse número estarrecedor, a Prefeitura de Belo Horizonte tenta viabilizar a pista exclusiva por motos. A demarcação já é utilizada em outras cidades brasileiras, entre elas, Betim, na Grande BH. Caso seja autorizada, a medida entrará em vigor, na primeira etapa, em oito quilômetros da Via Expressa, que abrange as avenidas Teresa Cristina e Presidente Juscelino Kubitscheck.
A Prefeitura de Belo Horizonte afirma que um projeto da motofaixa já foi criado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana. Porém, como o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não prevê as faixas exclusivas para motocicletas, a implantação depende de autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o que ainda não ocorreu.
O órgão, por sua vez, afirmou que aguarda os relatórios técnicos finais dos trechos já autorizados, que subsidiarão a avaliação de novos trechos ou eventual regulamentação definitiva sobre o tema.
Atualmente, há trechos autorizados nos municípios de São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Matão (SP), Santo André (SP), Diadema (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Recife (PE) e Porto Alegre (RS). O modelo também está em avaliação em outras cidades e capitais do país.
