Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp

Peça um Rock
Anuncie Aqui
  • Ao vivo
  • Eleições 2026
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • 98 Segundos
  • Promo Os Players
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • Eleições 2026
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • 98 Segundos
  • Promo Os Players
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • Ao vivo
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

CPI na coleira, Supremo no volante

Por

Paulo Leite

Paulo Leite
  • 28/02/2026
  • 09:46

Siga no

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Compartilhar matéria

Há uma cena recorrente em Brasília. De um lado, o Congresso erguendo CPIs como quem acende holofotes: para investigar, para constranger, para negociar, para ganhar manchete. Do outro, o Supremo funcionando como freio de emergência, ora para impedir abuso, ora para evitar que o inquérito parlamentar vire caça-níquel de reputações. Até aí, democracia em funcionamento, barulhenta, imperfeita, necessária.

O problema começa quando o freio parece seletivo. A decisão do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático da Maridt Participações, empresa ligada ao ministro Dias Toffoli e seus familiares, reacendeu a divergência entre Congresso e STF sobre o papel e os limites das CPIs.

A CPI do Crime Organizado, no Senado, havia aprovado o requerimento; Gilmar, em tutela de urgência, barrou. O argumento central é desvio de finalidade e ausência de vínculo concreto entre a medida invasiva e o objeto da CPI. Até aqui, o STF parece estar cumprindo sua função. Proteger direitos fundamentais quando o Legislativo exagera. O próprio texto da decisão reforça a exigência constitucional de CPI com fato determinado e sugere que requerimentos não podem extrapolar o objeto de investigação. Mas, como quase tudo em Brasília, o como pesa tanto quanto o quê.

CPIs não podem ser arrastão de sigilos

Há um ponto que precisa ser dito. Quebra de sigilo é medida extrema. Não é confete de plenário. Não é prêmio de consolação para senador com pressa. É invasão de privacidade com potencial de dano irreversível, inclusive quando, ao final, nada se prova.

A decisão de Gilmar sustenta que a justificativa apresentada pela comissão seria falha e que haveria um salto lógico e jurídico na tentativa de ligar a empresa aos fatos sob apuração. E, na própria decisão, aparece o argumento de que requerimentos aprovados estariam extrapolando os limites do objeto da CPI e instrumentalizando poderes investigatórios como atalho para avançar sobre direitos e garantias fundamentais.
Nesse ponto, de acordo com juristas ouvidos pela coluna, a tese jurídica é coerente com uma linha histórica do STF.

CPI pode investigar, pode convocar, pode requisitar informações, mas precisa mostrar pertinência com o objeto. Sem isso, vira espetáculo. Se o Congresso quer ser levado a sério como investigador, precisa agir como investigador, usando delimitação, método, motivação e lastro mínimo. CPI não é pesca de arrasto no mar dos sigilos. E, quando vira, merece contenção.

Quando a forma vira mensagem

Só que, no Brasil, decisões judiciais não vivem apenas de fundamentos, vivem também de ambiente, e sinais.
Há um elemento que, no mínimo, é politicamente tóxico. A empresa teria recorrido em um processo antigo, ligado à CPI da Pandemia, que já teria sido arquivado, e a escolha desse caminho acabou levando o caso à relatoria de Gilmar Mendes. Isso surpreendeu integrantes da CPI e foi lido como uma espécie de atalho processual, já que não houve novo sorteio.

Quando uma decisão que restringe uma CPI nasce sob a sombra de um processo ressuscitado, o Supremo pode até ter razão no mérito, mas perde oxigênio no debate público. Porque, aí, o país não discute mais o limite constitucional das CPIs, discute a credibilidade do árbitro. E a credibilidade, numa democracia, é capital. Sem ela, tudo vira torcida. A divergência real não é sobre CPIs.

A disputa entre Congresso e STF sobre CPIs costuma ser vendida como luta de Poderes. Mas, honestamente? Muitas vezes é uma luta sobre quem pode constranger quem; quem fiscaliza quem; quem pode olhar dentro da gaveta do outro.

A CPI do Crime Organizado justificou a medida citando supostos vínculos com casos e transações relacionadas a fundos ligados ao Banco Master e a um empreendimento no Paraná.Investigações da Polícia Federal apontaram transações entre fundos ligados ao banco e a empresa, que já foi proprietária de um resort no Estado. O relator da CPI reagiu dizendo que recebeu a decisão com grande preocupação e que tentará reverter.

O ponto, porém, é o seguinte: se a CPI erra ao esticar o objeto, que se aponte o erro, que se imponha o freio, que se corrija o rumo. Mas o Brasil tem o direito de exigir que esse freio seja acionado com o mesmo rigor quando o alvo não é a empresa do inimigo, mas a empresa do colega de instituição. Porque o que mata instituições não é o erro, é o sentimento de regra com nome e sobrenome.

CPIs mais fracas, acordos mais fortes

Há um efeito colateral imediato de decisões assim: o Congresso tende a reagir de dois jeitos, e nenhum deles é bonito. Radicaliza o discurso com argumentos de que o STF censura, e o Supremo quer mandar em tudo, alimentando ressentimento institucional e populismo jurídico; ou troca a investigação por negociação, porque, se o instrumento perde potência, sobe o preço do acordo: não consigo quebrar sigilo? então vou para a chantagem política.

Em ambos os casos, quem perde é o cidadão. Porque CPI boa é a que trabalha com prova e método, e não a que vira vitrine de vaidades. Mas CPI também não pode virar peça decorativa, domesticada por liminares que soam como blindagem.

E aqui está o drama: o STF, ao proteger direitos fundamentais, precisa também proteger a própria aura de imparcialidade. Sem isso, toda decisão correta vira suspeita, e toda suspeita vira gasolina para crise entre Poderes.

O que seria saudável daqui para frente

Se o Congresso quiser recuperar autoridade investigativa, precisa parar de fazer CPI como talk show. Fato determinado não é enfeite constitucional, é cerca elétrica. E requerimento de quebra de sigilo precisa de motivação individualizada, pertinência e contemporaneidade.

Se o STF quiser preservar autoridade institucional, precisa ser exemplar em duas coisas. Procedimento e percepção. Não basta estar certo, é preciso parecer certo, do jeito certo, no caso certo. Porque, quando a Corte entra no papel de guardiã da Constituição, ela não pode dar margem para que a praça pública enxergue guardiã de si mesma.

No fim, a pergunta que fica é simples e incômoda: o Supremo está limitando os excessos das CPIs, ou limitando as CPIs quando elas chegam perto demais do Supremo? Democracia não exige unanimidade. Exige confiança. E confiança, em Brasília, anda em falta.

Compartilhar matéria

Gostou desta notícia?

→ Comece seus dias sempre atualizado com o que rola de relevante nos negócios, economia e tecnologia em Minas Gerais, no Brasil e no Mundo.

98 News opinião

Siga no

Paulo Leite

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

A história do jogo de Campeonato Mineiro que Ronaldo Fenômeno nunca esqueceu

Cinco ‘podrões’ imperdíveis na Grande BH

Mais de Entretenimento

Mais de 98 News

Farmar aura: quando até a personalidade vira produto para consumo

EUA impõem nova tarifa ao Brasil e mercado reage

IA na educação exige formação, não só regulação

Exportações de frango e suíno avançam em 2026

Liderança muda com o fim da era da previsibilidade

Plano Nacional de Mineração 2050 mira minerais críticos

Últimas notícias

Sinisterra deixa o campo chorando após sentir dores em Cruzeiro x Botafogo

Unidade Popular oficializa candidatura de Samara Martins à Presidência da República

Kaio Jorge é homenageado após completar 100 jogos pelo Cruzeiro

FGTS decide nesta terça distribuição de lucro; veja quem recebe e como calcular o valor

PSOL e Rede oficializam Áurea Carolina ao Senado e mantêm indefinição sobre apoio ao governo de Minas

Thiago Borbas chega a BH para assinar com o Atlético: ‘Posso ser o homem-gol’

Kalil é oficializado candidato em Minas, critica Propag e adia definição sobre apoio a Lula

Em artigo no Washington Post, Lula diz que ninguém ‘vai nos derrotar com base em mentiras’

Em convenção, Heringer confirma saída do PDT da base governista na ALMG

  • Notícias
  • Auto
  • BH e Região
  • Brasil
  • Carreira
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Minas Gerais
  • Mundo
  • Política
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol em Minas
  • Futebol no Brasil
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Cinema, TV e Séries
  • Famosos
  • Nas Redes
  • Humor
  • Música
  • Programas 98
  • Rock Insônia
  • No Fundo do Baú
  • Central 98
  • 98 Esportes
  • Buenos Días
  • 98 Futebol Clube
  • Ricardo Amado
  • Catimba 98
  • Graffite
  • Barba, Cabelo e Bigode
  • Preleção
  • Jornada Esportiva
  • Giro na Gringa
  • Os Players
  • Matula
  • Buteco
  • Cadeira Cativa
  • Tudo Menos Futebol
  • Redes Sociais 98
  • @rede98oficial
  • @rede98oficial
  • /rede98oficial
  • @98live
  • @98liveesportes
  • @98liveshow
  • @rede98oficial
  • Redes Sociais 98 News
  • @98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98-news-oficial

Baixe Nosso Aplicativo

Siga a Rede 98 no

  • Ao Vivo na 98
  • Contato
  • Anuncie na 98
  • Termos de Uso e Política de Privacidade

Rede 98 © 2021-2025 • Todos os direitos reservados

Avenida Nossa Senhora do Carmo, 99, Sion - 30.330-000 - Belo Horizonte/MG

  • Ao vivo
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Promo Os Players
  • Notícias
  • Eleições 2026
  • BH e região
  • Brasil
  • Economia
  • Colunistas
  • 98 Segundos
  • Custo Brasil
  • Meio Ambiente
  • Mercado Automotivo
  • Mundo
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Olimpíadas
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Famosos
  • Gastronomia
  • Humor
  • Música
  • Redes