A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avaliou como necessárias as medidas anunciadas nesta quinta-feira (12/3) pelo Governo Federal para o mercado de combustíveis, diante do cenário de instabilidade internacional provocado por tensões geopolíticas no Oriente Médio. A entidade considera que a adoção de instrumentos tributários e regulatórios pode ajudar a reduzir os efeitos da volatilidade do petróleo sobre a economia brasileira.
Segundo a federação, a crise internacional tem pressionado os custos de energia e transporte, com reflexos diretos sobre a atividade econômica no país. Nesse contexto, a tentativa de conter pressões inflacionárias e garantir o abastecimento interno é vista como uma resposta compreensível do governo.
Para o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ações voltadas à estabilidade do mercado de combustíveis são importantes para setores estratégicos da economia, como transporte e indústria, que dependem fortemente do diesel.
“Em um cenário de instabilidade global, é legítimo que o governo utilize instrumentos de política econômica para reduzir impactos abruptos sobre a economia doméstica. A previsibilidade no custo dos combustíveis é fundamental para preservar a competitividade da indústria e evitar pressões adicionais sobre a inflação”, afirma Roscoe.
O dirigente ressalta, no entanto, que a discussão também evidencia desafios estruturais relacionados à política econômica e ao sistema tributário brasileiro. “Hoje o governo ainda dispõe de instrumentos tributários que permitem reagir rapidamente a choques externos. Com a implementação da Reforma Tributária do Consumo, essa margem de manobra tende a diminuir, o que exigirá do país o desenvolvimento de novos mecanismos para lidar com momentos de forte instabilidade internacional”, acrescenta.
Na avaliação da Fiemg, o episódio reforça a necessidade de políticas públicas que conciliem estabilidade econômica, segurança no abastecimento e responsabilidade fiscal — fatores considerados essenciais para a competitividade da indústria e para o crescimento sustentável da economia brasileira.