O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou, nesta quinta-feira (19/3), Dario Durigan como o novo ministro da Fazenda. A confirmação ocorreu durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo. O atual secretário-executivo da pasta assumirá o comando da equipe econômica em substituição a Fernando Haddad, que deixa o governo federal para focar em sua candidatura ao governo paulista nas eleições deste ano.
Durante o evento, Lula quebrou o protocolo ao ler a nominata de autoridades e pediu para que o novo titular se levantasse para ser reconhecido pelo público. “Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, brincou o presidente. Presente na cerimônia, Haddad aproveitou o momento para fazer um balanço de sua gestão, agradecendo o empenho do Congresso Nacional, além de prefeitos e governadores, na aprovação das medidas essenciais para a retomada do pacto federativo e da estabilidade financeira.
Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), Durigan atua no Executivo desde 2023 como o “número dois” da Fazenda. Com um perfil discreto, mas visto como um bom articulador junto ao setor produtivo, ele participou ativamente do desenho das medidas de recomposição de receitas, da renegociação da dívida dos estados e da articulação da reforma tributária. Sua trajetória também inclui passagens pela Advocacia-Geral da União (AGU), pela prefeitura de São Paulo e pela diretoria de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil.
Desafios fiscais e cenário internacional
À frente do Ministério da Fazenda, o novo titular terá a complexa missão de conduzir a economia durante a campanha à reeleição de Lula, um período historicamente marcado por fortes embates políticos e instabilidade. A pauta exigirá habilidade para lidar com debates sensíveis no Legislativo, como o fim da escala 6×1, a isenção de Imposto de Renda sobre lucros dos trabalhadores, a possível revisão de benefícios sociais e a reforma dos encargos sobre a folha de pagamento.
Outra prioridade imediata de Durigan será a transição e a regulamentação final da reforma tributária, com foco na implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para 2027. O principal entrave no Congresso será a definição do “imposto do pecado” (imposto seletivo), que incidirá sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas. A regulamentação tende a encarecer esses itens, gerando o debate econômico impopular em ano eleitoral.
No campo das contas públicas, Durigan também será encarregado de buscar a meta de superávit até o fim de 2026. Com as regras do arcabouço fiscal, o novo ministro, portanto, deverá administrar bloqueios e contingenciamentos de despesas.
Para completar o quadro de pressões, a equipe econômica terá que blindar o país das turbulências externas provocadas pela escalada da guerra no Oriente Médio. Com o barril de petróleo ultrapassando a marca de US$ 100, o risco de contaminação da inflação interna pelos combustíveis é alto, podendo frear a queda da taxa de juros e impactar a geração de empregos.
