Quase metade dos empreendedores brasileiros pertence à classe C, considerada a classe média, segundo estudo do Instituto Locomotiva em parceria com o Sebrae. Os dados indicam uma mudança no perfil do trabalho no país, com o empreendedorismo deixando de ser alternativa emergencial e se consolidando como projeto de vida.
Empreender virou escolha
De acordo com o levantamento, abrir o próprio negócio passou a ser visto como caminho para ascensão social e independência financeira.
O estudo aponta que a decisão está diretamente ligada à perda de atratividade do emprego formal no regime CLT, além da busca por melhores condições de trabalho. Entre os principais fatores que impulsionam essa escolha estão:
- flexibilidade de horários
- autonomia no trabalho
- expectativa de ganhos maiores
- rejeição a ambientes corporativos considerados tóxicos
Classe média lidera movimento
A presença forte da classe C no empreendedorismo revela uma transformação estrutural no mercado de trabalho brasileiro.
Antes associado à informalidade ou a situações de crise, o empreendedorismo passa a ocupar um espaço mais estratégico, ligado à mobilidade social e à geração de renda.
Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o fenômeno tem impacto direto na economia.
“O sonho de ser dono do próprio negócio motiva milhões de homens e mulheres que lutam para manterem a si e suas famílias. E não apenas isso, mas geram emprego e renda e criam inclusão social”, afirmou.
Nem todo empreendedorismo é igual
Apesar do crescimento, especialistas alertam para a necessidade de diferenciar os tipos de empreendedorismo.
O economista Euzébio de Sousa, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), destaca que nem toda atividade por conta própria representa inovação ou crescimento econômico.
Segundo ele, existem três cenários distintos:
- empreendedorismo inovador (gera crescimento e produtividade)
- pejotização disfarçada de autonomia
- empreendedorismo por necessidade (sobrevivência)
Quando empreender vira sobrevivência
O chamado empreendedorismo por necessidade ocorre quando a abertura de um negócio é consequência da falta de oportunidades no mercado formal.
Esse cenário está ligado a fatores como desemprego, baixos salários e informalidade.
“Quando isso ocorre, não se está diante do empreendedorismo inovador capaz de promover desenvolvimento, mas de estratégias defensivas de sobrevivência”, explicou o economista.
Desafio: transformar negócios em crescimento
O estudo aponta que o avanço do empreendedorismo no Brasil depende de políticas públicas que garantam melhores condições para os pequenos negócios.
Entre os pontos considerados essenciais estão acesso a crédito, capacitação e incentivo à inovação.
A tendência, segundo os especialistas, é que o empreendedorismo continue crescendo, mas com impacto diferente dependendo das condições econômicas e sociais do país.
