PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Fazer manteiga correndo? Trend levanta alerta de nutricionistas sobre riscos à saúde

Por

Larissa Reis

Siga no

A trend, conhecida como #ButterRun, surgiu fora do Brasil, viralizou nas redes sociais e logo começou a ganhar adeptos por aqui (Reprodução/@diego.majima/Instagram)

Compartilhar matéria

Uma tendência curiosa, e um tanto quanto inusitada, tem ganhado espaço nas redes sociais nos últimos dias: corredores estão colocando saquinhos com nata ou creme de leite dentro da mochila para, com o balanço da corrida, fazer manteiga. Em outra versão, há quem leve misturas com gelo para tentar fazer sorvete durante o treino.

A trend, conhecida como #ButterRun, surgiu fora do Brasil, viralizou nas redes sociais e logo começou a ganhar adeptos por aqui. A ideia pode até parecer divertida, mas especialistas acendem um alerta para riscos importantes envolvendo segurança alimentar.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A nutricionista clínica, esportiva e comportamental Micaele Ramos explica que o principal problema está na forma de conservação dos alimentos. “O creme de leite pasteurizado, que é o que encontramos no supermercado, até pode ser mais seguro em determinadas condições. Mas a nata, principalmente se não for industrializada, já oferece mais risco”, afirma.

Outro fator de risco está na manipulação. Mesmo que o ambiente externo não seja, por si só, o maior problema, a forma como o alimento é manuseado pode facilitar a contaminação. “É essencial ter atenção com a higiene das mãos, unhas limpas e sem esmalte, além de, sempre que possível, reforçar a higienização com álcool em gel”, orienta a nutricionista.

A avaliação é reforçada pela nutricionista Rúbia Magalhães, que destaca que tanto o creme de leite quanto a nata são alimentos altamente suscetíveis à contaminação. “Eles possuem alta quantidade de água livre, além de serem ricos em gordura e nutrientes, o que favorece o crescimento de microrganismos. Outro ponto é o pH próximo do neutro, que não é suficiente para inibir essas bactérias”, explica.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Segundo ela, o ponto crítico é a temperatura. “Os alimentos não devem permanecer na chamada ‘zona de perigo’, que vai de 5°C a 60°C. Nessa faixa, há maior proliferação de microrganismos, o que pode causar problemas de saúde”, alerta.

Além disso, o próprio método improvisado de preparo preocupa. “Fazer manteiga ou sorvete dessa forma não é seguro, principalmente se os ingredientes não forem pasteurizados. O alimento pode ser contaminado e não estar adequado para consumo”, diz.

Segurança em primeiro lugar

Sobre o preparo improvisado, Rúbia é categórica: “Do ponto de vista científico, não é seguro. Apesar de a agitação conseguir transformar a nata em manteiga, isso acontece sem controle de temperatura e higiene. Não há garantia de que o recipiente esteja devidamente higienizado, o que pode favorecer a multiplicação de microrganismos”.

No caso do sorvete, o cenário pode ser ainda mais preocupante. “Não há congelamento suficiente para inibir essas bactérias, então o alimento pode permanecer em uma faixa ideal para o crescimento microbiano”, alerta.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Rúbia também chama atenção para os riscos de manipulação fora de um ambiente adequado. “Há possibilidade de contato com suor, mãos que não estão devidamente higienizadas e superfícies contaminadas, como a própria mochila. O movimento constante ainda pode favorecer a entrada de ar e contaminantes, aumentando o risco de contaminação cruzada”, explica.

E mesmo depois de pronto, nem sempre é possível identificar se o alimento está seguro. “Alguns sinais, como cheiro azedo, sabor alterado ou textura diferente, podem indicar problema. Mas a ausência desses sinais não garante segurança. Existem microrganismos que produzem toxinas sem alterar aparência, cheiro ou sabor”, alerta.

Apesar do apelo criativo, a recomendação é clara: transformar a mochila de corrida em uma “mini cozinha” pode não ser a melhor ideia. “A segurança alimentar deve sempre vir em primeiro lugar”, reforça Micaele.

Compartilhar matéria

Siga no

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Redes

Felca volta ao YouTube e diz enfrentar fobia social

Felca ressurge após 7 meses afastado das redes sociais: ‘Me escondi por tempo demais’

Homem confunde tronco de árvore com capivara e vídeo diverte a web

Sessão do STF ganha ‘cobertura paralela’ nas redes com memes e jogo de luta

Trend dos anos 80 com IA viraliza no Instagram; veja como fazer

YouTube dobra exigência de monetização; o que muda para criadores

Últimas notícias

Grêmio abre venda de ingressos para torcida do Atlético na semi da Copa do Brasil

Caminhão tomba para trás e fica ‘em pé’ ao subir ladeira em Pará de Minas

Explosão após vazamento em botijão de gás deixa mulher com queimaduras no bairro Aparecida, em BH

Cruzeiro vence Olimpia e fecha 1ª fase da Libertadores Feminina com 100%

BH amplia prazo para encontrar patrocinador do Carnaval de 2027 a 2029

Lula diz que bets ‘não voltarão mais’ se for reeleito e critica apostas para financiar clubes de futebol

Flamengo perde para o Estudiantes nos pênaltis e é eliminado da Libertadores 

Flávio deve reduzir confrontos e Lula é orientado a evitar provocações no último debate

Copasa terá que pagar R$ 300 milhões a BH para recuperar vias danificadas por obras