O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu ao relatório anual do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que aponta o Pix como uma das principais barreiras impostas pelo Brasil aos interesses comerciais americanos. De acordo com Lula, o Brasil não vai mudar o mecanismo por conta do interesse americano.
“Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix e eles disseram que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira. O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país”, afirmou Lula.
A declaração do presidente foi feita durante uma agenda em Salvador (BA). Lula já se encaminhava para o fim do discurso quando o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, se aproximou do presidente e disse: “Fala o negócio do Pix”.
Além do Pix, o relatório do USTR disse que a “taxa das blusinhas” e as propostas de regulação de redes sociais são obstáculos para o comércio dos Estados Unidos.
Sobre o Pix, o documento diz que o Banco Central “criou, detém, opera e regula” o sistema de pagamentos instantâneos, levantando preocupações de que haja tratamento preferencial à plataforma pública em detrimento de provedores estrangeiros de serviços financeiros.
O documento do USTR faz parte da Seção 301, uma legislação que investiga supostas práticas comerciais desleais que prejudicam a economia americana. Essa apuração pode embasar futuras sanções vindas dos Estados Unidos, como a imposição de tarifas adicionais.
As declarações ocorreram em evento de tom eleitoral em Salvador (BA), onde Lula visitou obras da implantação do VLT na capital baiana. Durante a agenda, o presidente declarou que a oposição vai ter que “sofrer muito” para vencê-lo na eleição presidencial de outubro.
Alckmin também defende Pix
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), também defendeu o Pix.
“O Pix é um sucesso. Não existe nenhum problema em relação ao Pix. É só esclarecer”, afirmou em conversa com jornalistas nesta quinta-feira (2) ao se despedir da pasta. Alckmin não precisa sair da vice-presidência, mas precisa deixar o ministério para se candidatar na eleição deste ano.
Em reunião ministerial na última terça-feira, 31, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que Alckmin será seu candidato a vice-presidente novamente. Havia uma indefinição sobre qual seria o papel do atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio nas eleições de 2026. Com isso, o ministro repetirá a chapa de 2022 com o petista.
O USTR também critica o projeto de lei que amplia os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre mercados digitais. Sobre isso, Alckmin, disse que “a única regulação” feita pelo Brasil quanto a big techs foi o ECA Digital, voltado a proteger a infância, segundo ele.
Alckmin voltou a dizer que o Brasil não é problema para os EUA, já que eles têm superávit na balança de bens e serviços com o país. E disse que a ideia é aumentar a complementaridade e a troca de investimentos. “Nosso trabalho é aumentar esse diálogo, essa parceria, essa cooperação”.
Sobre data para reunião com o presidente americano, Donald Trump, o vice disse não haver agendamento, afirmando apenas que o presidente Lula “sempre caminha para o diálogo”. “As conversas do presidente Lula com o presidente Trump foram muito positivas. Eu acho que a gente pode avançar mais nesse diálogo”.
Alckmin também fez um balanço de sua gestão no MDIC, destacando projetos como o Carro Sustentável e o Move Brasil (voltado para caminhões), além da política Nova Indústria Brasil (NIB) e de medidas de defesa comercial.
