O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), acirrou o confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF) ao publicar, neste sábado (25/4), o quinto episódio da série de sátira “Os Intocáveis”. A nova peça utiliza fantoches para ironizar diretamente os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. O vídeo surge como uma resposta desafiadora ao pedido de Mendes para incluir o mineiro no inquérito das fake news, realizado na última segunda-feira (20/4).
Na animação, o boneco que representa Gilmar Mendes sugere a Moraes que Zema seja incluído na investigação por ser alguém que o “contraria emocionalmente”. A sátira foca na narrativa de que o Judiciário estaria agindo de forma persecutória contra adversários políticos. “Claro que cabe mais um inimigo nosso no inquérito. Quer dizer, da democracia, é claro”, diz o fantoche de Moraes em um diálogo fictício criado pela produção de Zema.
A publicação também resgatou falas recentes de Gilmar Mendes, que criticou o sotaque mineiro de Zema ao chamá-lo de “dialeto próximo do português”. O vídeo utiliza o personagem Chico Bento para ironizar a fala do ministro, sugerindo que ele quer “prender o mineiro” por não compreendê-lo. Consequentemente, a série de vídeos tem servido como uma vitrine política para Zema, que se projeta como um dos principais críticos da Corte e pré-candidato à Presidência.
Acusações de xenofobia e embate judicial
Ainda neste sábado, Romeu Zema elevou o tom ao afirmar que estuda acionar a Justiça contra o ministro Gilmar Mendes por declarações consideradas preconceituosas contra Minas Gerais. O ex-governador alega que as críticas ao seu modo de falar atingem não apenas sua pessoa, mas toda a identidade do povo mineiro. O que começou, portanto, como uma disputa de narrativas digitais, agora caminha para uma batalha jurídica formal entre as partes.
“O jurídico meu, do partido, está avaliando. É uma fala ofensiva, xenofóbica, que destrata milhões de brasileiros”, disse Zema em entrevista à Rádio Itatiaia. Segundo o pré-candidato à Presidência, o ministro teria extrapolado os limites da função ao ironizar o sotaque regional. Dessa forma, o político tenta inverter o jogo, colocando o magistrado na posição de investigado por suposto crime de preconceito contra a origem mineira.
O conflito escalou após o primeiro episódio da série, divulgado em março, retratar uma suposta troca de favores entre Mendes e o ministro Dias Toffoli sobre o Banco Master. Gilmar Mendes, por sua vez, reagiu enviando uma representação ao STF apontando que o conteúdo afronta a honra do tribunal e de sua própria imagem. Para o ministro, as postagens de Zema possuem indícios claros de crime e desinformação planejada contra a cúpula do Judiciário.
A construção da narrativa dos “Intocáveis”
Desde o início do projeto, Zema constrói uma linha editorial focada na existência de figuras que estariam “acima da lei”. O termo “Intocáveis” é usado para sugerir que o STF atua como uma estrutura de poder blindada de qualquer tipo de fiscalização ou crítica popular. Nos episódios anteriores, o mineiro já havia abordado temas sensíveis, como a anulação de decisões de CPIs pelo Supremo e o desequilíbrio entre os Poderes.
O quarto capítulo da série já havia aprofundado as críticas sobre a interferência indevida de autoridades em investigações legislativas. Com o quinto vídeo, Zema consolida sua estratégia de enfrentamento direto, mesmo diante dos riscos de ser alvo de medidas cautelares pela Corte sob relatoria de Moraes. Consequentemente, o ex-governador reforça sua base de apoio na direita, que enxerga no STF um opositor político direto.
Reação do STF e limites da sátira política
A manifestação de Gilmar Mendes no inquérito das fake news afirma que o conteúdo produzido por Zema extrapola a crítica política legítima para se tornar um ataque institucional. Na visão do jurista, a utilização de fantoches para simular crimes de corrupção entre ministros fere a dignidade do cargo e incita o ódio contra o tribunal. Portanto, a inclusão de Zema no inquérito pode resultar em sanções como a suspensão das contas ou o bloqueio de novos vídeos.
Zema, no entanto, mantém a postura de que seus vídeos são sátiras amparadas pela liberdade de expressão e pelo direito à crítica. O mineiro utiliza a “hospitalidade mineira” e o “jeito simples” como contrastes à formalidade e ao rigor das decisões que emanam de Brasília. Dessa forma, a série “Os Intocáveis” eleva a tensão da política nacional em 2026, testando os limites do humor e da imunidade política.
Por fim, a expectativa gira em torno da decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre a inclusão definitiva de Zema nas investigações. Enquanto o STF avalia as medidas cabíveis, o ex-governador segue utilizando suas plataformas digitais para pautar o debate sobre a reforma do Judiciário. O desfecho desse confronto pode ter impacto direto na viabilidade eleitoral de Zema.
