O prefeito Álvaro Damião afirmou neste sábado (24) que não pretende voltar atrás na decisão de encerrar contratos temporários de profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Belo Horizonte. A declaração foi feita durante a inauguração de um centro de saúde na região Norte da capital.
Segundo o chefe do Executivo, a medida faz parte de um processo de adequação fiscal e segue parâmetros adotados em outras cidades do país. “Você não pode gastar mais do que ganha. A conta é simples”, afirmou.
Fim de contratos e reorganização
A decisão envolve o encerramento de vínculos de profissionais contratados de forma emergencial durante a pandemia da Covid-19. Os contratos se encerram no dia 1º de maio e não serão renovados.
De acordo com a Prefeitura, as escalas serão reorganizadas para manter o atendimento, sem redução no número de ambulâncias. A administração também reforça que o modelo adotado segue normas do Ministério da Saúde, que permitem equipes mínimas com um técnico de enfermagem e um condutor nas unidades básicas.
Protestos e críticas de servidores
A medida tem sido alvo de críticas por parte dos trabalhadores do SAMU. Na última semana, a categoria realizou uma série de protestos em Belo Horizonte, denunciando o que classificam como um possível “desmonte” do serviço.
Os profissionais apontam preocupação com a redução de técnicos nas ambulâncias básicas e afirmam que a mudança pode comprometer a qualidade do atendimento e a segurança das equipes. Segundo representantes do movimento, a realidade da capital exigiria equipes mais completas.
Além disso, os trabalhadores argumentam que o déficit de pessoal já existia antes da pandemia e que o fim dos contratos tende a agravar a situação.
Debate sobre cortes na saúde
A decisão também ocorre em meio a discussões mais amplas sobre o orçamento da saúde no município. No início da semana, vereadores, representantes sindicais e integrantes do setor se reuniram na Câmara Municipal para debater a redução de recursos na área.
A Prefeitura afirma que o ajuste faz parte de um cenário fiscal mais amplo e nega cortes diretos nos serviços. Segundo a gestão, a orientação é reorganizar despesas e buscar maior eficiência no uso dos recursos públicos.
Entre as alternativas discutidas está a busca por novas fontes de financiamento, incluindo um possível recurso internacional que ainda depende de aprovação do Legislativo.
Mudança no comando e cenário fiscal
O contexto inclui ainda a troca no comando da Secretaria Municipal de Saúde. O novo titular assumiu com a missão de reduzir o déficit da área, estimado em quase R$ 500 milhões.
Enquanto a administração municipal sustenta que as medidas visam equilibrar as contas sem prejuízo à população, servidores e entidades da saúde seguem cobrando diálogo e revisão das mudanças adotadas.