O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, entregou neste sábado (25/4) as exigências de seu país para um possível acordo de fim da guerra no Oriente Médio. Entretanto, o diplomata deixou a rodada de negociações em Islamabad, no Paquistão, sem realizar o aguardado encontro direto com os representantes dos Estados Unidos. Dessa forma, Araghchi entregou apenas documentos com as condições de Teerã e as ressalvas às propostas norte-americanas aos mediadores paquistaneses.
Apesar de o presidente Donald Trump ter sinalizado otimismo na última sexta-feira (24/4), afirmando que a proposta iraniana poderia atender às exigências dos EUA, o clima em Islamabad foi de hostilidade. Diferente da rodada anterior, quando houve diálogo presencial entre as partes, o Irã optou agora por tratativas indiretas. Consequentemente, os enviados especiais de Washington, Steve Witkoff e Jared Kushner, não conseguiram a reunião bilateral que a Casa Branca esperava.
A última tentativa de retomar as conversas deveria ter ocorrido na terça-feira (21/4), mas foi adiada sob a justificativa de que o Irã não estava pronto. Na ocasião, Trump prorrogou o cessar-fogo para manter a janela de diálogo aberta, enquanto a delegação americana permanecia em Washington. Portanto, o recuo de Araghchi neste sábado representa um novo entrave para o cronograma de paz que o governo Trump tenta acelerar.
Bloqueio em Ormuz e pressão militar
Nesse cenário, o Estreito de Ormuz segue paralisado por um duplo bloqueio entre Irã e Estados Unidos, interrompendo a passagem de 20% do petróleo e gás natural do mundo. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou a reabertura da via como “vital para o mundo”, dada a dependência energética global. Além disso, o mercado de petróleo fechou em alta, reagindo à incerteza sobre o sucesso real das negociações em curso.
Trump, por sua vez, mantém uma estratégia de “paciência armada”, afirmando que tem todo o tempo necessário para negociar enquanto mantém a pressão militar máxima. Além disso, os Estados Unidos reforçaram a presença na região com a operação do terceiro porta-aviões, o USS George H.W. Bush. Essa movimentação militar serve como pano de fundo para as exigências iranianas, que buscam garantias de segurança e o fim das sanções econômicas.
O sucesso de um futuro acordo, portanto, depende agora da análise técnica que os EUA farão dos documentos entregues pelo Paquistão. A Casa Branca ainda não revelou o conteúdo detalhado das exigências de Araghchi, mas a porta-voz Karoline Leavitt mencionou que houve “progressos” em pontos fundamentais. Consequentemente, a expectativa do mercado internacional é que uma nova rodada de conversas diretas seja agendada para os próximos dias, caso os termos sejam aceitos.
